Nesse cenário de possível crise mundial, Brasil em potencial de ser ou não ser e tudo mais, uma pergunta normal é: como investir nisso? Ao invés de falar o que você deveria fazer, baseado em meus achismos, eu preferi falar o que eu estou fazendo. 1) Atlas. A Atlas Quantum deu um retorno de 60% em 2018, e você pode manter seu saldo em Bitcoin ou em dólar, além de trocar entre as duas moedas quando quiser. Passei a maior parte do ano parado lá esperando o resultado da eleição e ainda tenho uma alta alocação lá. 2) Eu estou abrindo um empório. Aliás, quem quiser aparecer lá sábado das 9 as 16h ganha um chopp 300ml grátis, mas divago. Por que um empório? a) Porque a sócia que vai operar o empório tem 6 anos de experiência. Invista no que você entende, não é mesmo? b) É um negócio extremamente maleável. O que eu vendo? Coisas boas. Thats it. A qualquer momento tem gente querendo alimentos e bebidas melhores ou mais interessantes do que o que normalmente se encontra por aí, além de um bom atendimento. Isso pode ser realmente qualquer coisa. Atualmente temos vinhos, cervejas, alimentos artesanais e com algum diferencial (sem lactose, por exemplo ) e um hortifruti bonitão. Se um der muito certo, reduz no que deu mais errado e rebalanceia. Se uma moda decolar, ok. E se o Brasil entrar em crise? Oras a gente vende comida e bebida, é só ajustar o preço médio do produto. E se o Brasil decolar? Oras, a gente sai ganhando c) Investimento baixo. O design da loja é o que eu chamo de "empreendedorismo de guerrilha", ou seja, o mínimo necessário que fique bonito e profissional. Mesmo que tudo vá pro saco, o investimento principal é baixo, e muitas coisas são facilmente liquidáveis. d) Ponto barato. Usamos a Space Hunters para encontrar o ponto, e conseguimos atingir um público enorme estando na Rua Castro 888, a um custo de aluguel menor que 10% do que eu pagaria para ter o mesmo espaço de loja num shopping. Foi um belo de um tempo de caça para encontrar um ponto desses, mas tá feito. O resumo é: algo que todo mundo vai precisar, altamente maleável e barato, com um bom potencial de upside. 3) Microgreens. Vai lá, dá um google, eu espero. Em resumo, produzir um alimento em 10 dias, altamente maleável, que pode se pagar em 6 meses. E eu já tenho um empório para vender isso, aliás. E é uma estufa. Se tudo der errado podemos contratar a Elysios, que faz com que estufas sejam muito mais produtivas via a mágica da tecnologia chata e longa demais para explicar aqui, e alugar prum produtor que está a 200m de distância, para que ele faça mais do que já faz, a um preço rentável. De novo: baixo investimento, altamente maleável, ganha de qualquer forma. E por que tudo isso? Oras, uma crise é um período de reajuste, onde as coisas ficam baratas e o mercado é limpo de gente que não deveria estar lá. Foi prestando atenção em quem caiu que conseguimos ver onde entrar. Fora isso, numa crise você tem pessoas realinhando suas demandas, mas alimentos e coisas como farmácias sempre estarão no topo da lista. Esteja lá. E tem um extra que permeia os 3 investimentos: ROIC. Return Over Invested Capital. Em outras palavras, quantos % você ganha para capital investido, ou em ainda outras palavras, o quão bom você é em alocar capital. Num boom, numa bolha, mesmo quem tem ROIC baixo cresce porque tudo fica fácil. Numa crise, quem aloca capital com qualidade se dá bem enquanto os incompetentes são removidos. É o processo de mercado. Ou seja, tenha um ROIC alto. 6% é brigar com a inflação. 10% é perda de tempo porque tem como ganhar isso em qualquer lado hoje. 15% é legal. Mas que tal 60%? Esse é o retorno da Atlas. Claro, não é o ROIC deles, mas é o meu lá. E os outros negócios são desenhados precisamente para ter um ROIC alto. Os microgreens tem um ROIC estúpido de alto. Meu contador achou que eu estava mentindo até ver as planilhas. O empório é altamente maleável em aplicação de capital, porque podemos cortar o que não rende e afinar o violão apenas no que tem o retorno que desejamos. Além disso, como falei antes, é empreendedorismo de guerrilha, nenhum capital é comprometido que não tenha um retorno muito significativo. E claro, não faz mal ter uns 10 a 20mil inscritos em Curitiba. A lição que passa por isso tudo é, no fim das contas, competência. Uma crise limpa o mercado dos incompetentes. E embora alguns setores sejam completamente apagados, especialmente na indústria (que eu quero passar BEM longe), a maior parte sofre um corte. A questão numa crise é ser muito mais competente que os outros, de formas que quando o facão da incompetência chegar, você não tem o que se preocupar e, depois da limpa, tem um mercado bem mais aberto e cheio de oportunidades. Ventar sempre venta. A questão é se você é uma folha incompetente ou um bambu bem enraizado que dobra, mas não quebra. Tipo a Renner. (Isso não é uma recomendação de compra) http://www.fundamentus.com.br/detalhes.php?papel=LREN3
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