Questione autoridade. Especialmente quando é um economista falando que "no passado, xyz" É surpreendente a quantidade de economistas citando coisas do passado baseado em a) "eu lembrava assim", b) "todo mundo aprende isso na escola" e c) "dois livros que eu li na minha graduação e nunca chequei as fontes ou vi outra versão". Entra Paul Krugman. Ele e seu Nobel de economia. Citando errado impostos nos EUA. Contexto: esquerda está batendo tambor nos EUA por um imposto enorme em cima dos ricos. Dessa vez a proposta é algo como 70% de imposto de renda. Vale lembrar: quando a França fez isso, perdeu milhares de milionários para outros países. E obviamente é isso que deveriamos esperar. Quem realmente tem dinheiro mora onde quer e faz o que quer. O resto é chatice e inconveniência. Erguer um imposto desses nos EUA ia causar um enorme êxodo de capital e cérebros. A resposta da esquerda, e do Paul Krugman: ah mas tinhamos impostos enormes por décadas e tudo bem! De fato, entre 1936 e 1981 o imposto de renda mais alto nunca ficou abaixo de 70%. Por um tempo foi 91%. Só tem um detalhe. Que nem é um detalhe, é crucial. Como alguém não sabe disso quando discute esse assunto, especialmente um Nobel de economia falando sobre o seu próprio país, está além da minha capacidade de perdoar sem zoar. Deduções. Quem é rico tem dinheiro para pagar contadores e advogados para encontrar novas formas de não pagar impostos. Resultado: em 1963, por exemplo, quem tinha mais de 1 milhão de dólares de renda pagou, em média, 40%. Em 1945, durante os totalitários 91% de imposto, o imposto realmente pago era ao redor de 65% para milionários. 10 anos depois, era de 50%. E isso é da renda pessoal. Existem milhões de formas de usar empresas para pagar suas despesas, ou jogar recursos para fora do país, evitando então ter renda declarável e, assim, evitando pagar imposto de renda. Uma pessoa pode ter uma renda real de 20 milhões de dólares, e acabar por declarar 2 milhões, pagando 50% disso. Imposto pago: 1 milhão. 5% da renda total real. Parabéns. Vai lá, joga 100%, vai dar certinho. https://www.aier.org/article/rich-never-actually-paid-70-percent E você imaginaria que um economista americano defensor do estado enorme e com seu belo prêmio Nobel lembraria de notar isso. Até porque é a área dele: estado grande. Você imaginaria que um economista desses se daria ao trabalho de estudar o que defende e citar história certo. Claro que você imaginaria isso, mas não foi o caso. Krugman só joga um non-sequitur extremamente preguiçoso: tinhamos impostos altíssimos e a economia cresceu, logo, mete imposto nos ricos. Esse é o nível do debate, muitas vezes. https://www.nytimes.com/2019/01/05/opinion/alexandria-ocasio-cortez-tax-policy-dance.html Só porque o sujeito tem um diploma, uma coluna e um prêmio Nobel, não quer dizer que você deveria ouvir tudo que ele fala sem checar fontes. Especialmente quando se trata de história.
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