Um doador do canal e amigo meu me perguntou hoje: quantas horas por dia eu passo lendo/estudando? Eu tenho duas respostas para isso: 1) Quem conta? 2) Todas Eu vivo falando de economia, mundo, dados bizarros sobre uma disputa política nos EUA em 1836, a taxa de crescimento do setor agrícola na Nova Zelândia na década de 1990, etc. Eis que muitas pessoas tem a impressão de que eu passo o dia todo afundado em livros, decorando estatísticas e tudo isso. Não é bem por aí. Primeiro que a pior coisa que você pode fazer para obter conhecimento é inventar uma cota arbitrária de horas para ler coisas escolhidas arbitrariamente, ou sem conexão com praticamente nada. *Eu lembro de um bando de coisas porque esse é o meu trabalho.* Praticamente tudo que eu estudo tem a ver com a produção de um vídeo, de uma série, de um livro, de um artigo, e mais recentemente com empresas que eu quero abrir. Aí fica fácil de lembrar. Tudo é contextualizado, tem a ver com o que eu preciso agora, e a informação que é inútil pode ser ignorada e esquecida. Além disso, o fato de produzir conteúdo em cima do que eu estudei ajuda a lembrar das coisas. É por isso que você não lembra da anatomia do polvo, que você estudou na sétima série, ou a importância de ligações atômicas covalentes, que você estudou no ano (quem se importa?). Isso simplesmente não importava, e não importa. A tragédia é que a maioria de nós passa a maior parte do estudo lendo coisas completamente inúteis e descontextualizadas. Aí quando encontramos alguém que entende muito de algo, pensamos que ele leu 90x mais que agente. Errado. Muitas vezes ele até estudou menos que você. A lição aqui é: faça com que as coisas importem. Se você leu um livro todo sobre alguma teoria obscura e complexa de economia que não se aplica ao seu dia-a-dia e não entendeu nada ou não lembra, oras, é lógico que isso aconteceria. Vá ler algo que é importante para você, ou crie uma situação na sua vida onde isso importa. Outro jeito é discutir isso com outras pessoas. É por isso que grupos de estudo são legais. Parte é porque podem te ajudar a entender algo que você não sacou, mas a maior parte, pelo menos na minha experiência, é poder debater os pontos, e mais humanamente falando, ter medo de passar vergonha por não lembrar quais são os três fatores de produção básicos ou o que é a taxa de redesconto. *Outra coisa: não é só lendo que você aprende. Tudo é uma oportunidade de aprendizado* Outra coisa horrível para o aprendizado é viver no piloto automático. É passar muitos momentos sem pensar, bovinamente repetindo algo mecânico ou só aceitando as coisas. Tá, é parte da vida, ok, eu entendo. Mas tente fazer cada momento ser uma oportunidade de aprendizado ou de exercitar o que você leu recentemente. Vai na feira? Ótimo, pode ser um momento para pensar se talvez as pessoas passando pelas barracas não seja um exemplo de investidores em nível internacional buscando taxas de retorno de capital em países diferentes. É um exercício constante de estar alerta, de olhar além das coisas e dos eventos e tentar conectar eles. Ok, isso parece meio pastelão de se dizer, mas fazer o que. Tudo é uma oportunidade de aprendizado. Eu estou "lendo" praticamente o tempo todo. As vezes são páginas, as vezes é sobre a organização urbana delimitada pelo estado e como isso impacta a segurança da população, e como isso é feito sem um incentivo de segurança e sim sobre a perspectiva de "o que é bonitinho" segundo o soviete aleatório que está no poder agora, isso enquanto eu espero o Uber chegar ou estou andando até a academia. Aprender não é um ato, é uma habilidade. Uma hora eu faço um vídeo mais detalhado sobre isso, até porque dá pra ficar horas nisso, ou mesmo escrever alguns livros, mas espero ter ligado uma lâmpada ou três na sua cabeça. O Sparkle é legal justo por me permitir dar vazão a esses bits de ideias, e depois estruturar a coisa em algo maior.
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