Presuma que políticos são ignorantes até provado contrário. Digo isso porque muitos analistas e muitos aficionados em política e economia imputam uma inteligência e planejamento profundos a muitas ações de políticos, procurando um plano maior, um objetivo maior para ações atuais. Mas é aquela velha lógica: não atribua à inteligência o que pode ser explicado por burrice ou ignorância. Um exemplo muito atual é Gleisi Hoffmann indo para a posse de Maduro, ditador da Venezuela. Façamos uma simples pergunta: cui bono? Quem sai ganhando? O que ela ganha com isso? Absolutamente nada. Podemos tentar encontrar várias explicações: a presidente do PT vai ao ditador socialista buscar ajuda, aproveitando que um bando de outros socialistas estarão lá para mancomunar alguma tenebrosidade canhota. Ou talvez ela aproveita para fugir de Moro, já que embora tenha se auto-rebaixado para deputada estadual para evitar ficar sem foro, pode ter medo da ditadura fascista/taxista/absolutista/laranjista de Bolsonaro. Mas mesmo nessas interpretações mais forçadas é difícil enxergar um cenário onde Gleisi ou o PT saem ganhando. Vamos tentar uma explicação mais simples: cabeça dura. A mesma cabeça dura que manteve o PT numa linha radical quando a solução óbvia para as eleições era fazer o Lula 2002 e atirar para o centro, se moderando, mesmo que falsamente. Uma cabeça dura que se apega a ditadores socialistas mesmo que isso não faça o menor sentido. Uma cabeça dura que manda num partido enorme e tem medo de ser vista como fraca. Ou vamos tentar uma explicação ainda mais humana: é uma pessoa com medo da atual situação, e que vai aproveitar que o pagador de impostos vai pagar a conta dela para tirar uma viagem para um “paraiso” socialista, onde ela estará mais cercada de gente que concorda com ela. Conforto psicológico e aceitação do grupo. Quer algo mais humano que isso? Outro exemplo simples: Trump e sua guerra de tarifas com a China. Economia básica demonstra que ele está errado. Economia um pouco mais sofisticada mostra que em parte empresas saíram dos EUA porque a produtividade marginal da mão-de-obra ficou abaixo dos salários de um país que enriqueceu e em outra parte as regulações, burocracias e afins subiram o custo de empreender acima do que vale a pena. O fato simples é que as tarifas dele simplesmente não fazem sentido e todos saem perdendo. Ainda assim vemos legiões de trompistas tentando encontrar motivos e estratégias complicadíssimas para explicar as ações deles. Desculpem desapontar, mas já estive em conversas com grandes empresários e em algumas delas ouvi baboseiras inimagináveis. Aquelas que você tem vontade de dizer que viu alguém lá atrás que precisa conversar e aproveita para ir para o banheiro vomitar e pensar sobre o futuro da humanidade. É muito fácil ver um desses empresários virando presidente. Um deles em específico? Não. Mas algum deles? Nos próximos, vai, 40 anos? Fácil. Agora vamos tentar explicar as ações de Trump: é um empresário bom, mas com algumas crenças completamente além de qualquer lógica. E não precisam ser “altos” políticos. Podem ser os pequenos mesmo. Converso consideravelmente com os vereadores mais libertários do Brasil ao longo dos últimos dois anos e já ouvi histórias altamente depressivas. Prefeitos idiotas, vereadores que são totais ignorantes, assessores parasitas que admitem sua parasitagem e acham que isso é bom, todo tipo de bizarrice. Uma das minhas histórias favoritas é de um vereador que falou que é preciso “pensar diagonalmente” sobre o orçamento do município. O que significa isso? Nem as montanhas mais antigas sabem. Uma vez ouvi um deputado federal falar sobre a proibição de antenas de celular porque as ondas eletromagnéticas poderiam causar câncer, e cinco minutos depois a conversa era sobre pedras energéticas e vibrações das pessoas. George Carlin foi um excelente comediante. Uma de suas linhas favoritas era: pense na pessoa mediana. Pensou? Ok. Metade das pessoas é mais idiota que ela. E da metade mais ignorante, muitos viram políticos. Grande políticos, as vezes. Ignorância atrapalha, mas muitas pessoas possuem um carisma único, um padrinho político forte, um bom financiamento de campanha (lícito ou não) ou algum ás na manga que as fazem vencer uma eleição. Então fica aqui o conselho: Quando algum político fizer algo realmente danoso, idiota, ou realmente estranho, não pule para teorias extremamente complexas. Antes de tudo, cogite seriamente: será que esse político não é só um ignorante gigantesco, um ser humano com fraquezas muito humanas, que fez o que fez do mais honesto e profundo derp? Não que justifique suas ações, é claro.
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