Então o Brexit não vai rolar. Ainda. Talvez. Quem sabe. Ô vida. Hoje a proposta da Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, foi derrotada. E feio. Isso é bom porque a proposta dela era uma absoluta desgraça e completa traição do que seria um Brexit. É realmente um testemunho da fé nas instituições e passividade dos pró-Brexit que não aconteceram enormes manifestações com bonecos a May enforcada e outras coisas. O acordo dela para o Brexit iria, na prática, reduzir o Reino Unido ao estado de uma colônia. Eles ainda estariam sujeitos a basicamente tudo que a União Europeia inventasse, pagariam uma enorme quantia para sair, ainda estariam presos em boa parte ao sistema jurídico da União Europeia e bônus: não iriam poder votar nada. Colônia. Ah sim, e recuperariam o controle das áreas pesqueiras, que representam aproximadamente uns nadas na economia britânica. Pelo menos isso. O importante de ler é o que não foi proposto. May ameaçou, lá no começo das negociações, que o Reino Unido poderia cortar seus gastos e impostos, desburocratizar massivamente e se tornar uma espécie de paraíso fiscal e empreendedor, sugando capital e empresas da Europa. Isso seria feito se a União Europeia não jogasse bola com a May. E por que não simplesmente fazer isso? Na verdade isso seria o melhor cenário. Hard Brexit. Simplesmente quebra as relações e acabou. Adeus. Beijão. Mas não, essa era a ameaça, o wost case cenario. O que isso nos diz? Isso somado com tudo que May fez, e especialmente o que não fez, nos forçam a pensar: ela queria MESMO um Brexit? Ou é só uma enorme enrolação idiota para dar um jeito de cancelar o Brexit, melar toda a discussão e enterrar o assunto por 50 anos? Claro, também pode ser flagrante incompetência da May. Nunca duvidem. Mas o fato é: o que nunca esteve na mesa era a proposta de liberdade de verdade. Não. A visão dos Tories, tidos como conservadores, é conservar a porcaria de marasmo regulatório e burocrático, e continuar um estado enorme e pesado. Não há proposta de renovação ou mudança. Não há uma vontade dos políticos de mudarem. É o comodismo. O Brexit foi um grito um tanto quanto desorientado. Um grito dado por muita gente que não sabia por que estava puta da cara, apenas sabia que estava puta da cara. O grito era contra a estrutura tecnocrática, bizarra e pesada da União Europeia, contra a noção de um país Europa. May afogou esse grito em incompetência. A questão agora é: o grito vai virar outra coisa, ou chá das 4 e vamos dormir?
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