Eis uma coisa que me desgraça da cabeça além do entendimento: Gente que responde argumentos com "eu não me importo e não gostei da conclusão". Quem já lei The Fountainhead (A Nascente, aqui no Brasil) provavelmente lembra do Mallory, e o maior medo dele: um ser que parece humano, mas que está além de qualquer argumento, de contato, do que for. Não importa o que você fale, essa criatura só olha para você. Impenetrável. É algo bem assustador. E é assim que eu me sinto quando encontro alguém que responde um argumento ético, demonstrado todo certinho, com exemplos e com detalhes com "Ah, não gostei, dane-se". Isso aconteceu bastante no meu vídeo recente sobre propriedade intelectual. Não que seja novidade que isso aconteça, nem que eu não tenha esperado. Eu esperava. Mas ainda assim é uma enorme decepção ver isso acontecendo. Eu até entendo quem não entendeu direito o que escassez significa, ou que não entendeu direito um passo e cometeu um erro. Mas a quantidade de pessoas que só responde com "é você só fala isso porque tá bem de vida" ou "ah mas eu acho que não é bem assim não" é realmente assustadora, e meio depressiva. Mas o que me conforta é que muita gente era assim e melhorou. Demora, é uma enorme insistência, é tentar 879 argumentos diferentes até algum entrar no gol, é pacientemente roer as pedras da montanha até abrir caminho, mas é possível. Eu já vi acontecer. E também tem outro pensamento interessante e motivador: se com tanta gente respondendo argumentos assim a humanidade já foi tão longe, criou tanto, melhorou tanto, imagina quando essas pessoas aprenderem a pensar direito? Colonizaremos as estrelas.
5 comments
5 comments