= Mary= Aquela noite começaria bem mais cedo do que Gregory achava. E prometia mais que as outras… — Papai… — A garotinha de olhos negros, pele excessivamente branca, cabelos castanho escuro e de porte físico esguio corria em direção ao seu pai, que estava sentado na poltrona principal da sala lendo o jornal do dia. — Minha pequena! - Gregory abriu os braços seguido de um belo sorriso. — Está toda molhada, brincava na piscina? — Sim, eu e mamãe. A garotinha carregava com ela, uma boneca que havia ganhado de seus pais quando nasceu, ela tinha cabelos escuros, olhos negros assim como os da sua dona, e era totalmente feita de pedaços de panos, feita pela própria mãe. — Sua mãe está ai? Eu não a vi hoje. — Sim, está na piscina. - Mary apontou em direção a piscina. — Certo, depois conversamos. Agora suba e tome um banho, coloque uma roupa seca e desça para jantar. Não quero que você pegue um resfriado. — Tá papai…. — E Mary, papai te ama muito. A garotinha subiu as escadas correndo enquanto olhava sorrindo para seu pai e acenando com a sua mão esquerda, já que a outra segurava seu bem mais precioso, sua boneca. Gregory levantou-se e foi até a área externa da casa onde ficava a piscina. Encarou fixamente toda aquela água de um tom de azul cristalino, até que finalmente falou, após alguns segundos de silêncio. — O que você quer aqui? — Ela é minha filha, e eu prometi que a protegeria. — Uma mulher alta, de cabelos cacheados, tão branca quanto a Mary, e olhos escuros, submergiu. — Ela não precisa de proteção. — De alguém como você? Sim, é claro que precisa. Eu precisei… — A jovem mulher deu uma risada. — Saia daqui agora…. — Ou o que? Vai me matar? Anny saiu da piscina, pegou uma toalha que tinha na cadeira em frente e secou seu rosto. — Eu não tenho mais medo de você, entenda isso. E daqui eu não vou sair enquanto minha filha estiver nessa casa e correndo perigo. E outra, está mais do que obvio que você não pode me fazer nada. Gregory saiu da área da piscina pisando forte no chão, e fechando a mão dando sinal que queria socar algo, ou alguém. Estava cego por todo esse sentimento. Mas teve seus pensamentos e sentimentos interrompidos pela sensação de medo, ao ver em sua frente, sentada em sua poltrona sua esposa, que segundos atrás estava na piscina. Por cima do biquíni vestia um robe de seda, branco. As portas logo começaram a se fechar bruscamente, as cortinas das janelas se fecharam, toda a casa ficou totalmente trancada e escura. E diferente do sol que fazia lá fora, o sol de fim de tarde, naquela sala estava um gelo. — Carma é algo muito complicado, não é mesmo, Gregory? — A mulher sorriu, enquanto cruzava suas pernas nuas e bem desenhadas. — Me deixa em paz. Pelo o amor de Deus. O homem fechou os olhos e colocou suas mãos nos ouvidos, como uma criança assustada que não quer ver o bicho papão. Todo o pêlo de seu corpo arrepiado e tomado pelo pânico, se ajoelhou com os olhos fechados e as mãos ainda nos ouvidos. ***************** Mary tentava de maneira frustada abrir a porta, mas não conseguia. Estava incomodada com o mal cheiro de coisa podre que vinha do quarto de seus pais. — Que droga. Porque isso não abre? Com raiva começou a bater e chutar a porta. — O que está acontecendo aqui? Gregory e Anny caminhavam em direção a menina, que os olhou assustada. — Papai, eu não aguento mais esse cheiro ruim. Não consigo dormir porque fede muito. O que tem aqui? Porque não me deixam mais entrar em seu quarto? — Acho que está bem claro o motivo pelo o qual eu não vou embora. — Anny o encarou séria e seus olhos mudando de cor para um tom vermelho sangue.
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