Em regra, sou a favor de manifestações - mesmo quando discordo do posicionamento assumido em relação ao tema questionado. Mas realmente não considero bacana manifestações em dias e horários comerciais. Não sei nem se as consideraria como democráticas. Ora, em regra as vias que são "travadas" são utilizadas por muitas pessoas no decorrer do dia, que têm horários a cumprir..., deveres a sanar. E quem escolhe por não manifestar não tem que pagar o preço por quem foi. Em Belo Horizonte, por exemplo, quando há uma manifestação na região central, muitas áreas da cidade, inclusive setores hospitalares ficam com pouquíssimos acessos ou mesmo paralisados. Por óbvio, claro, não fica só nisso e o buraco é ainda mais embaixo. O filho que espera o pai ou a mãe para buscá-lo na escola também é prejudicado. A mulher guerreira que trabalhou o dia todo e não vê a hora de chegar em casa, também é afetada. Poderia ficar aqui enumerando exemplos. Então: por que não manifestar em um domingo, por exemplo? Se a via do hospital travar, outras estarão com transito leve de modo a não prejudicar. O mesmo em relação àquela(e) que tiver trabalhado e estará ansioso pelo descanso. Ainda: Não haverá crianças aguardando os pais na escola, presos em um congestionamento "artificial". Mas... segundo alguns... o governo só sente quando é em dia de semana. É irônico e seria cômico se não fosse trágico, mas, para eles, para o governo sentir, é necessário afetar a população toda. Que, aliás, segundo esses seres "iluminados", deveria largar tudo e estar ali concordando e marchando com eles... Voltando à reflexão inicial, penso, cá entre nós, que essas manifestações que afetam o outro DIRETAMENTE não são tão democráticas assim. Repare bem: Concordando ou não com a pauta, a maior parte da população será afetada, sem escolha, pela imposição de bloqueios em vias públicas em horários de amplo movimento. Desculpem-me, mas sério: por que não fazer isso no domingo? ou então durante a noite, depois de diluído o movimento da cidade? Ou sábado a tarde? Por que impor a minha vontade a quem é tão cidadão quanto qualquer outro, mas que talvez pense diferente? É a manifestação da voz popular, mas nem por isso é justa, correta ou baseada no Estado Democrático de Direito. Por fim, desejo uma boa manifestação àqueles que forem, porém, mais ainda, espero confiante que em um futuro próximo possam expor suas convicções sem afetar o dia de outros indivíduos.
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