Post Mortem Cinco bilhões de perfis. Esse é o número projetado por Carl Öhman e David Watson para o número de perfis de pessoas falecidas no Facebook até 2100. Essa previsão leva em conta as taxas de crescimento atuais para todo o período, e foi publicada no periódico Big Data & Society. Esses números mostram o impacto e importância que os dados de pessoas falecidas passaram a ter no futuro, e levantam diversas preocupações. Do ponto de vista econômico, o armazenamento desses dados implica um custo alto para o Facebook. Por outro lado, há medo por parte de organizações que advogam pela privacidade na internet que as grandes empresas, como Facebook, Google e Amazon, tentem capitalizar em cima desses dados. Usar os dados para aprimorar a entrega de mensagens publicitárias para as pessoas próximas dos falecidos é uma das formas que é especulada. No momento as empresas dizem buscar soluções para tratar esses dados da forma mais respeitosa possível. Um exemplo é a possibilidade da notificação de morte, que transforma a página do facebook da pessoa em um memorial, mantendo ali suas informações, mas desativando as funções ativas. Outra possibilidade é designar uma pessoa que passa a ter controle dos seus dados na rede social em caso de falecimento (caso que exclui acesso as mensagens privadas para evitar situações desagradáveis). A questão sobre deletar ou não esses dados é ainda bastante polêmica. Há casos em que famílias e amigos tem na página memorial uma espécie de “altar” virtual com diversas memórias da pessoa, e um lugar para extravasar seus sentimentos após a perda. Uma das situações difíceis que acontecem atualmente é a de algoritmos trazerem a tona lembranças dolorosas de pessoas que se foram, com avisos de aniversário, notificações de lembranças e a presença de materiais emocionalmente sensíveis em vídeos de retrospectiva. O Facebook afirma estar desenvolvendo uma inteligência artificial que visa filtrar a exibição dessas memórias dolorosas para seus usuários. No entanto, que tipo de parâmetros objetivos podem dar conta da variedade de experiências subjetivas em relação a perdas? O sigilo característico que circunda os algoritmos que controlam as timelines traz dificuldade de entender, e potencialmente personalizar, quais as decisões corretas para cada pessoa lidar com sua perda. Neste momento começa a surgir, portanto, a preocupação individual do que acontece com os nossos dados. Até agora, o melhor conselho que consegui achar é que deixemos instruções explícitas para nossos entes queridos, tratando nosso pertences virtuais como quaisquer outros.
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