Nenhum direito é garantido. A frase escolhida para o desfile do 18 de maio do ano passado (2018) começava com esse o alerta: "Tantans atentas e fortes". O nome já era um indicativo do que estava por vir nas futuras políticas de saúde mental. Com diversas alterações na política que legisla sobre as práticas e a estrutura dos serviços de saúde mental no Brasil, alguns dos direitos conquistados com muita luta e produção acadêmica no final da década de 70 e 80 estão sendo jogados no lixo. Dois pontos que chamam muita atenção é, em primeiro lugar, o fim das políticas de redução de danos, prática clínica de acompanhamento do usuário de drogas com geração de autonomia e responsabilização, que será substituída pelas já falidas práticas de abstinência e parcerias público privadas com instituições religiosas. O segundo ponto é o retorno das internações compulsórias, flexibilizando radicalmente as condições de internações de sujeitos que não querem estar em um espaço de tratamento privado de liberdade. É evidente, cientificamente, que nenhuma dessas práticas tem resultado, além de causar maior sofrimento mental à essas pessoas. O 18 de maio em BH foi enorme, justamente por a cidade ser uma das grandes referências na luta antimanicomial, e terá que, novamente, se postar enquanto uma vanguarda de resistência em defesa da liberdade da loucura. Saúde não se vende, liberdade não se prende.
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