Eu vivo dizendo para vocês terem uma habilidade exportável, uma profissão ou habilidade que pode funcionar em qualquer país, e que assim te torna altamente resistente contra a imbecilidade estatal brasileira. E vários perguntam: Raphaël cite uma aí. Ok vamos lá. E aliás essa não é só uma habilidade, é uma das habilidades fundamentais. Se você tem isso, consegue um emprego em questão de dias em qualquer país por aí. E eu digo horas porque não só já vi isso acontecer como poderia ter feito isso ano passado, se quisesse. Administração. Não o curso. Dane-se isso. Eu digo a habilidade de aministrar algo muito eficientemente. Vejam só, um empreendimento qualquer é a combinação de fatores de produção: terra, trabalho e capital. Isso precisa ser combinado adequadamente e administrado adequadamente. Não basta só ter uma ideia. Todo mundo entendeu a ideia da Amazon, da Apple ou de qualquer grande empresa por aí, e isso não faz a menor diferença, porque se eu te colocasse para ser o administrador dessas empresas, isso não daria nem um pouco certo. Quando eu digo administração, digo a habilidade de fazer algo acontecer e funcionar. É engraçado, na verdade. Muita gente fica olhando o preço de equipamentos, o salário de um engenheiro ou de um médico, mas esquece que essa equipe com esses equipamentos que custam, digamos, 500mil reais por mês e produzem 700mil reais por mês, precisam ser lideradas e guiadas para serem produtivas. Quanto vale alguém que consegue extrair 20% a mais dessa equipe? Oras, essa pessoa produzirá 140mil reais por mês, acho que dá uma bela negociação de salário. E o que não falta ver por aí é milhões investidos em equipamento e salários com um administrador medíocre tocando a operação. É fácil ver o desperdício de uma máquina quebrada ou de um empregado que é folgado, mas e o que é deixado de ganhar porque o administrador está operando 10% abaixo do que poderia? Enorme, e invisível. É por isso que qualquer um que saiba administrar a própria vida ou empresa melhor que 80% do mercado tem um emprego garantido em qualquer lugar do mundo a qualquer momento. Oras, se você consegue extrair um valor maior de uma estrutura de produção qualquer, você tem um imenso valor, não importa onde vá. Você pode pegar um negócio qualquer que é relativamente mal administrado e faze-lo dar uma volta gigantesca, extraindo mais valor do que já está sendo feito. Tanto é isso que conheço um grande empreendedor cujo estilo de empreendedorismo é: achar uma empresa que faliu porque é mal administrada, compra-la barato, levando toda a estrutura, lista de clientes, histórico, marca etc, e administra-la direito. Suas empresas são de todo o tipo, e isso não realmente importa muito. Ele é um bom administrador, sabe reconhecer e empregar bons administradores quando encontra um, sabe o que é uma empresa que está sendo mal gerida e consegue resolver isso. Se ele vai fazer isso aqui no Brasil ou na Tailândia, Costa Rica, Quênia ou Bulgária, importa? Obviamente não. Exemplo prático, assim vocês sabem que eu falo do que faço e não do que deveria fazer: o Empório Liberdade. Estamos crescendo 34,2% ao mês em média desde que abrimos, e já registramos lucro operacional no terceiro mês. Por que? Porque é uma administração decente. E digo decente mesmo, nada de mais, dou pra gente uma nota 6/10. Temos muito a melhorar ainda. E com isso você já passa o trator no mercado inteiro porque adivinhem só, a habilidade média de um administrador de um mercado, mercearia, empório ou o que for não pode possivelmente passar de 3,5/10. O fato de que somos melhores administradores que a grande maioria do mercado está nos permitindo crescer violentamente, e sem um freio no horizonte. Clientes nossos ficam facilmente impressionados com o que estamos entregando, e nossa taxa de conversão é de 90%. Sim, 9 de cada 10 que entram, compram. Por que isso? Alugamos uma loja como qualquer outro. Temos acesso aos mesmos fornecedores. A luz e água é a mesma. Os clientes também são os mesmos. A ideia não é nem um pouco inovadora: vender comida e bebida. Por que estamos saindo na frente? Porque nossos concorrentes: Não atendem o cliente nem lembram o nome dele, só deixam o sujeito passeando na loja. Não sabem se estão dando lucro ou prejuízo, nem sabem o retorno de capital investido por ano num produto, especialmente considerando o espaço que ocupam. Não se preocupam em conhecer o produto que estão vendendo. Não possuem boas relações com seus funcionários ou empregam familiares, onde é muito difícil cobrar resultado. Não sabem como funciona contabilidade, não sabem seu ROIC ou seu WACC e nem sequer sabem o que é isso. Não possuem redes sociais, muito menos fazem anúncios minimamente direcionados nelas. Não sabem quanto custa colocar um cliente na loja (o famoso CAC, custo de aquisição de cliente). Não sabem quanto um cliente de cada tipo diferente dá de lucro quando entra na loja. Não sabem por que o cliente compra ou não compra alguma coisa quando entra na loja. O que nós fazemos é o básico, é fazer o que esses concorrentes não fazem, é saber o que não sabem. É entender essas dinâmicas, estar atento o tempo todo e ter uma régua de exigência mais alta. É pensar em cada real investido e qual o retorno que ele te trará comparado a outras coisas e ao custo de obter esse real. Em suma, é boa administração. E isso reconhecendo que ainda temos muito chão pela frente para melhorar. Ok, mas isso é só aplicavel a empresas? Claro que não. Olhe sua vida. Você sabe quais são suas 5 principais fontes de renda, o que fez elas acontecerem e serem do tamanho que são, o motivo porque crescem ou não crescem, o retorno que te dão por hora investida e que outras oportunidades de renda você poderia estar usando mas não usa, e por que motivo não as usa? Responder essas perguntas exige as mesmas habilidades que administrar uma empresa. É o mesmo exercício de resolução de problemas, só que aplicado na sua vida. Você não precisa de uma empresa para treinar isso, basta começar a pensar em você como uma empresa. Se você sabe administrar seu dinheiro e suas relações sociais bem, provavelmente sabe administrar uma empresa bem, só precisa de uns meses na trincheira para aprender as peculiaridades daquele negócio. E como aprender a administrar? Oras, voltemos a definição de um empreendimento qualquer: Um empreendimento é uma combinação de terra, capital e trabalho. Aprenda a trabalhar esses fatores. Se você souber trabalhar isso, pode administrar praticamente qualquer negócio, precisando apenas de um tempo de adaptação ao conhecimento específico dele, que quase sempre é mais rápido do que aprender a administrar. Os dois mais complicados disso são capital e trabalho, isto é, dinheiro e gente. Entender contabilidade e ser capaz de tomar decisões é absolutamente fundamental, afinal é isso que é empreender. Se você não entende os números, os retornos e custos, não entende juros e por que eles são mais altos ou mais baixos, não entende por que alguém investiria ou deixaria de investir em algo, então suspeito que sua empresa terá pouco ou nenhum futuro. Resolver isso significa aprender: como investir, entender por que juros são o que são, calcular retornos e analisar balanços de empresas, e coisas similares. Aprender como investir é muito bom pois te ensina a procurar uma empresa boa que valha seu dinheiro. Uma vez que você entende isso como administrador é só fazer o caminho inverso e tentar fazer a empresa que você gostaria de ver como um investidor. Entender gente é mais difícil, porque envolve o outro. Um numero é um numero, um alqueire de terra é um alqueire de terra. Eles não tem opiniões, memórias ou sentimentos. Pessoas tem, e muitas empresas falham porque as pessoas que estão dentro delas simplesmente deixam de se importar com a empresa. Resolver isso significa, antes de tudo, saber criar relações com pessoas, sejam elas funcionários, clientes e fornecedores. Se você não sabe fazer isso, ou não delegar essa função para alguém bom nisso, me desculpe, mas sua empresa não tem a menor chance de ter futuro. Aprenda empatia, negociação, resolução de conflitos, networking e tudo que tiver algo a ver com isso. Note que isso não significa ser bonzinho, significa ser alguém que cria laços fortes como aço, que vão ser confiáveis numa crise e que vão ser confiáveis na hora de dar uma blitz de trabalho de 20 horas num dia só. Aliás um problema comum de vendas é não conhecer seu cliente. Um erro que muita gente comete no famoso exercício de "venda uma caneta" é começar falando, e não ouvindo. Oras, o que raios o seu cliente quer? O que ele sente? O que ele acha do seu produto ou dos seus concorrentes? Quais são os problemas da vida dele? Se você não sabe isso, como vai vender algo pra ele decentemente? Você pode até simplesmente vender o que vendeu bem no mês passado e cortar o que não vendeu, mas não vai saber por que, nem saber escolher produtos novos, e eventualmente terá um grande problema. O que também nos leva para marketing, especialmente para empresas pequenas e médias. A Coca Cola pode ter os publicitários dele, mas a academia de Jiu Jitsu da cidade não, e o dono vai ter que aprender. Oras, como você vai anunciar se não conhece seu cliente? Como você pode direcionar algo se não entende quem vai gostar do seu produto ou se não fez seu produto para um ou vários tipos de pessoa? Vira aquele anúncio doido geral, que atinge muita gente e não vira nada. Se você sabe isso tudo, se você exercita essas habilidades regularmente, pode perfeitamente assumir uma loja de material de construção no Chile, uma empresa de equipamento madeireiro na Estônia, uma padaria em Dublin ou uma oficina de manutenção na Malásia. Basta que você tenha a capacidade de extrair mais produção desse empreendimento, e que tenha a capacidade de mostrar isso para o dono (o que é vendas, diga-se de passagem) e você tem um emprego em qualquer lugar do mundo, a qualquer momento.
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