*Os jovens estão praticando menos sexo seguro* No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam uma leve queda entre 2004 e 2013 no uso regular de camisinhas na faixa etária de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais - de 58,4% para 56,6% - como com parceiros fixos - de 38,8% para 34,2%. Realizada pelo IBGE, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, feita com adolescentes de 13 a 17 anos, aponta na mesma direção: 35,6% não usaram preservativos em sua primeira relação sexual. O mesmo estudo indica que, quanto mais jovem, menos frequente é o uso da camisinha. Ao mesmo tempo, as taxas de algumas ISTs dispararam. O Ministério da Saúde aponta que, no Brasil, o hábito de não usar camisinha teve um impacto direto no aumento de casos de HIV entre jovens. Na faixa etária de 20 a 24 anos, a taxa de detecção subiu de 14,9 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 22,2 casos em 2016. Entre os jovens de 15 a 19 anos, passou de 3,0 para 5,4 no mesmo período. O governo tem um programa que oferece camisinhas masculina e feminina, lubrificantes, informação e aconselhamento a jovens de forma gratuita. Então, se os preservativos estão amplamente disponíveis e ainda são a única forma de contracepção que protege contra a maioria das ISTs, por que não são usados por todos? Um possível motivo para o declínio da popularidade dos preservativos é que outras formas de contracepção se tornaram mais populares com o tempo, como implantes, injeções e dispositivos intrauterinos (DIUs). Hoje em dia, o medo do HIV também diminuiu muito, em grande parte com a disponibilidade do PrEP (profilaxia pré-exposição) no SUS, uma droga que previne a infecção por HIV, e o desenvolvimento de medicamentos que tornam o vírus indetectável e intransmissível. Mas o declínio do uso de preservativos pelos jovens não é necessariamente devido à falta de informação sobre os riscos. Um estudo de 2015 feito por pesquisadores americanos e britânicos com 479 homens heterossexuais com idades entre 18 e 24 apontou que quase 62% dos participantes relataram algum problema de ereção ao usar preservativo. No caso das mulheres, além de algumas relatarem sentir dor ao usar preservativo, muitas ainda ficam inseguras na hora de comprá-los. Sem contar o medo de “perderem o parceiro” se não estiverem dispostas a fazer sexo sem camisinha. Jovens entrevistados por Mark McCormack, professor de sociologia da Universidade de Roehampton, na Inglaterra, disseram que a educação sexual é básica demais e lhes ensinou pouco além de como colocar um preservativo - e essa aula muitas vezes ocorreu tarde demais, depois de fazerem sexo pela primeira vez.
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