=A noção de tempo= O físico, astrônomo e escritor Marcelo Gleiser, no documentário “Quanto tempo o tempo tem?” (2015, Adriana Dutra e Walter Carvalho) diz que somos criaturas que vivemos dentro do tempo. Isto é, temos começo e fim. A percepção da passagem do tempo é uma capacidade que apenas nós, seres humanos, temos, dentre todos os animais do planeta. Os únicos que entendem que a vida é finita. E é o que nos faz humanos, no âmago mais intrínseco do homem. *Um bom juízo de Gleiser é reconhecer que a força motriz da criatividade da humanidade é justamente a passagem do tempo. * É por entendermos a finitude que driblamos o limite temporal. Criamos teorias científicas, poemas, sinfonias, literatura, receitas que passam de geração em geração nas famílias. Queremos que todas nossas criações existam fora do tempo. A princípio, desejamos permanecer. Ninguém quer morrer! Já que a permanência corporal (ainda) não é possível, tentamos ampliar nossa permanência temporal no mundo. Refletindo sobre nossa limitação biológica, muitos buscam a transcendência para vencer a grande angústia humana: um dia morreremos. E ninguém quer morrer! Sentindo tal aflição, prometemos juras eternas. Amores eternos, promessas eternas. Shakespeare compôs sonetos que revolvem a mesma temática: o amor eterno. Nós dois pereceremos, mas o amor continuará vivo nestas linhas. _“Amor é um marco eterno, dominante,_ _Que encara a tempestade com bravura;_ _É astro que norteia a vela errante,_ _Cujo valor se ignora, lá na altura._ _Amor não teme o tempo, muito embora_ _Seu alfange não poupe a mocidade;_ _Amor não se transforma de hora em hora,_ _Antes se afirma para a eternidade.”_ (Soneto 116) Ou seja, o tempo é nossa grande escusa para a criação, para a sublimação de uma angústia, ao borde de nossa existência aflita. *É o mais humano que podemos ser.* :: Veja o documentário “Quanto tempo o tempo tem?” para mais respostas sobre a noção do tempo. ::
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