Até o ano de 2018 tive a oportunidade de trabalhar no Núcleo de Políticas de Promoção da Equidade em Saúde do Estado de Minas Gerais.O núcleo contava com uma equipe muito pequena, responsável pelo acompanhamento e produção de políticas públicas voltadas para as populações Negra e Quilombola, Indígenas, LGBT, População em Situação de Rua, Ciganos, Privados de Liberdade, Jovens em Conflito com a Lei e populações de águas, rios e florestas. A garantia da Equidade (que tem como objetivo tratar de forma diferente as necessidades de cada população, a partir das suas demandas) é um dos princípios do SUS, que sofre o ataque feroz de desmonte do Estado na gestão de Romeu Zema (Novo). O Núcleo que foi criado no mandato do Governador Fernando Pimentel sofria muito com falta de recursos, mas conseguia realizar pequenas tarefas que tinham muito impacto na vida dessas pessoas. A articulação dos comitês de saúde da população Negra e LGBT possibilitaram o recolhimento de demandas junto ao núcleo, tendo como resultado um direcionamento mais eficiente para a produção das políticas voltadas para essa população. O acompanhamento das vacinações nas populações Quilombolas e Indígenas, por exemplo, foi uma das atividades realizadas pelo Núcleo, conseguindo maximizar a imunização de populações que mal conheciam suas unidades de saúde. Além disso, as articulações do Núcleo fortaleceram e criaram terreno para a abertura do primeiro ambulatório de saúde para pessoas transexuais de Belo Horizonte, o segundo de Minas Gerais. Para além dessas duas tarefas, processos de educação permanente e continuada junto aos profissionais, notas técnicas, cartilhas, pareceres e acompanhamento de processos judiciais faziam parte do dia a dia da equipe, que auxiliavam a ponte entre o poder público e a sociedade civil, a partir da premissa da garantia dos direitos sociais. Um triste fim para o Núcleo de Políticas de Equidade, que pode prejudicar muito o acesso à saúde de uma parte significativa da população mineira.
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