_A estética do hip-hop_ _Para quem acompanha o cenário cultural negro já sabe que o afrofuturismo dominou a forma como os artistas e fashionista aliam manifestações tradicionais em todos os aspectos culturais com elementos futuristas, inovadores e conceituais. A ideia é fazer uma releitura de elementos basilares da estética africana, ultrapassando a barreira do atual e imaginando uma realidade para além da nossa. É por isso que o movimento afrofuturista passou a compor, em primazia, a estética de grande parte do universo negro, de filmes como Black Panther a artistas como Alxndr London, é um chamado à inovação e inspiração, e existe pouca coisa mais criativa que tentar imaginar o futuro._ _As possibilidades em revisitar o passado para explorar opções futuras são infinitas, então podemos encontrar todo tipo de manifestação oriunda desse exercício. O que tenho notado nos últimos tempos é o desenvolvimento de uma nova estética surrealista em muitos clipes de hip-hop. Muitos artistas como Childish Gambino, Jay-Z, Drake, Rihanna, Kendrick Lamar têm se favorecido de imagens icônicas da estética dos videoclipes de hip-hop para combinarem com um olhar futurista a momentos históricos da cultura afroamericana. _ _Eu, particularmente quando pensava eu releitura estética da tradição africana, por vezes puxava do meu imaginário estampas étnicas, sons de tambores e danças tradicionais, mas a verdade é que até as músicas, roupas e estilos de décadas anteriores estão tão distantes das possibilidades infinitas do futuro, que um retorno aos saudosos anos 2000 já desperta nostalgia e sensação de distanciamento temporal grandes o bastante para que um olhar futurista seja lançado sobre ele sem nenhum constrangimento de anacronismo. _ _Outra verdade que pude perceber é que a indústria cultural preta tem alcançado “valor de mercado” cada vez maior. Artistas negros estão sendo melhor recompensados pelo seu trabalho, como Jay-Z que recentemente chegou ao seu primeiro bilhão montando um império musical e artístico pautado na disseminação da sua cultura, ao mesmo tempo que lança videoclipes como “The Story of O.J.” e “Apeshit”, duas estéticas bastante contrastantes e ao mesmo tempo linkadas pelas releitura do passado com a crítica de quem vislumbra outras futuros. Se há gente pagando pela arte, há quem invista dinheiro em aprimorá-la, e a cada clipe que vejo lançado, percebo como uma nova estética está sendo fundada no solo das tradições, mas com uma inovação e criatividades tão à frente de seu tempo, que não tem como não chamar de afrofuturismo._
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