Ontem foi ventilada a ideia de uma moeda comum Argentina e Brasil, para ser usada em contratos de comércio exterior (comex), que seria mais estável e facilitaria contratos. A ideia é insana, e nem precisamos entender muita coisa técnica para entender isso. Primeiro porque o problema de estabilidade da moeda é intrínseco ao fato dela ser estatal. Estados sempre tem o incentivo para usar a moeda como uma ferramenta para objetivos políticos, como Macri está fazendo agora ao imprimir moeda. Não há motivo para esperar que dois governos mantenham essa moeda estável. Segundo, já existem várias outras moedas com estabilidade de preço superior ao real ou peso argentino. É só usar elas. Isso gera um risco pois outros paises podem manipular suas próprias moedas, porém esse risco é menor em países responsáveis do que com Brasil e Argentina Terceiro, se você quer algo estável mesmo, faça os contratos em ouro. O valor do ouro se manteve estável por séculos. Mas talvez o melhor argumento seja o mais simples: essa estabilidade da moeda ja poderia ter sido feita! Se não fizeram, é porque não quiseram. Os bancos centrais da Argentina e Brasil são dependentes, ou seja, obedecem ordens. Não são como o BC americano ou europeu, que são independentes. Exatamente agora, Bolsonaro ou Macri poderiam pegar o telefone e dar a ordem, a ser executada imediatamente, para que seus BCs zerassem a inflação. Ela seria quase instantaneamente exterminada. Não fazem por um motivo simples: não é conveniente politicamente nem para as contas dos estados. Se não fazem ali, por que fariam em outro lugar?
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