=A partícula de Deus= Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre a partícula de Deus, ou Bóson de Higgs. Marcelo Gleiser conta essa história: O prêmio nobel da física Leon Lederman procurou por muito tempo a partícula de Higgs, por sua dificuldade de ser encontrada. Era preciso colisões de energias muito altas. Enfim, ele queria escrever um livro relatando sua larga busca, com o título de “The goddamn particle”, algo como “a partícula desgraçada”. No entanto, seu editor lhe recomendou tirar o “damn” e ficar apenas “god”, que, em inglês, significa Deus. E, assim, a obra venderia muito mais. E assim foi feito. O livro vendeu bastante! As pessoas se apegaram à ideia de que a ciência estava provando a existência de Deus, que seria a materialização do espírito divino… Nada a ver. *Mas, então, o que é o bóson de Higgs?* Dentro da busca pela composição da matéria, há um modelo padrão em termo de duas partículas elementares: o elétron e o próton —- sendo que este, na verdade, não é fundamental pois é formada de duas outras chamadas quarks. Entre essas partículas há uma disparidade muito grande de massa. O elétron é 2 mil vezes mais leve que o próton. Perguntou-se o motivo disso ocorrer. Em 1964, foi proposta a existência de uma outra partícula, o bóson ou partícula de Higgs, pelo físico teórico Peter Higgs um dos pesquisadores. Imagine se o espaço inteiro estivesse permeado por uma espécie de éter, como um campo. Assim como um lago possui água em todos os lugares. Se assim for, o elétron e o próton estão viajando por esse campo, sentindo sua presença de forma diferente. Quanto mais sensível se é à presença do campo, mais se sente maior a inércia e a massa. Então seria como se o elétron estivesse nadando em uma piscina de água e o próton de mel. Claro que nadar no mel é mais difícil devido à sua viscosidade. O aumento da viscosidade é o modo com que as partículas interajam com o espaço e sintam a presença do campo de Higgs. Portanto, a descoberta dessa partícula explica a diferença entre as massas baseada na ideia de que é um campo imanente: está em todos os lugares; acontece que as partículas sentem diferente tal presença. A confirmação dessa teoria rendeu a Peter Higgs o Nobel da física em 2013, juntamente com François Englert.
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