Ainda nesta semana comentei a respeito da notícia de que uma lei que alterou parte da Lei Maria da Penha em - flagrante - benefício ao público feminino que sofre violência doméstica e não pode esperar por uma decisão judicial para afastar o agressor (favor não confundir com a crítica que fiz à Lei “Neymar da Penha”, onde a bancada do PSL fez grande burrice). Como cheguei a dispor, embora seja criticada por profissionais mais "legalistas", que entendem que somente uma decisão judicial poderia afastar um agressor, a modificação sancionada por Bolsonaro é, em meu entendimento, uma luz àquelas mulheres que, em perigo eminente, não podem esperar o retorno muitas vezes moroso do judiciário. Ressaltei que outros presidentes tiveram a possibilidade de aprovar a medida e preferiram, neste caso, não comprarem a briga. Inclusive Michel Temer, que para muitos desavisados, tem uma postura semelhante ao atual chefe do Planalto. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o silêncio de movimentos feministas quanto ao ponto. Não vi UMA MANIFESTAÇÃO sequer de apoio à medida. Como se isso fosse dar o braço a torcer em prol de um governo que são – supostamente – obrigados a questionarem irracionalmente por ser composto por quem é. Ora, o Movimento é Feminista ou é de um determinado partido? Ele não deveria parabenizar aquelas medidas tidas como favoráveis ao grupo foco do movimento, seja lá de onde partir essa iniciativa? Ou só vale se for algo oriundo de um grupo já alinhado... algum partido de esquerda... ou algum famoso “lacrador”? Se for pra valorizar medidas tomadas por aqueles e somente aqueles que são os “prediletos” politicamente, o movimento tem que mudar seu nome. Não dá pra se dizer [movimento] “Feminista” se as defesas das mulheres são pautadas por onde foram pensadas e/ou criadas. Faço esse desabafo porque algo que me incomoda bastante é o constante “Sete a Um” que as paixões e fanatismos partidários provocam na racionalidade e intelectualidade do brasileiro nesses tempos de imensa polarização. Sei que não sou imune a esse tipo de postura também. Porém, tento a todo custo questionar meus posicionamentos, minha coerência, minha linha de pensamento. E muitas vezes, evidentemente, me percebo errado, ingênuo e “cego” por algo que eu gostaria de acreditar, mas que em tantos momentos não passa sequer perto da realidade. Temos que vencer essa barreira, meus amigos. Só assim poderemos ter discussões mais sérias e relevantes neste país – que tanto clama por isso.
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