O Fim do Trabalho? Estamos conversando cada vez mais sobre automatização do trabalho. Robôs, drones, softwares. E atrelado a isso existe uma preocupação muito série sobre o futuro do trabalho. O que você faria se um robô te substituísse no trabalho? A discussão da pobreza e da desigualdade que poderia ser gerada pela automatização do trabalho, para mim, é muito menos uma questão de tecnologia e muito mais uma questão de modelo econômico. De alguma forma essa automatização acaba enfraquecendo um dos princípios básicos do modelo capitalista, a escassez. A partir de um momento que não é querido trabalho humano para produção de uma série de bens e serviços, como passamos a entender o valor agregado a ele, e portanto manter um modelo baseado em uma massa que vende seu trabalho para produzir esses bens e serviços. Nesse momento em que estamos convivendo com o início dessa automatização, e ainda atrelados ao modelo econômico anterior a ela, o que vivemos é grande parte da população trabalhando cada vez mais, e a desigualdade se aprofundando. Este caminho acaba não sendo sustentável nem do ponto de vista de grandes capitalistas, que acabam perdendo seu mercado consumidor, com as pessoas com cada vez menos tempo para gastar o pouco dinheiro que conseguem. Então nesse momento em que as nossas expectativas parecem se dividir entre a euforia e o apocalipse quanto aos avanços tecnológicos, a gente precisa bater muito na tecla de que essas discussões não podem acontecer separados de uma discussão de modelo econômico, de modelo de trabalho, e de sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Veja o caso dos motoristas e entregadores de aplicativo. As condições de trabalho, como já discuti em outro post aqui, começam a se tornar insustentáveis, ao ponto que fica difícil até imaginar uma estabilização desse mercado nos próximos anos. É uma bolha que vai estourar? Não sei, mas para não estourar, os preços provavelmente vão ter que subir. E a partir do momento em que drones passarem a fazer as entregas, e os carros se tornarem autônomos? Como essas pessoas vão garantir sua sobrevivência, ou do ponto de vista da economia geral, continuar consumindo? É hora de olhar os temas com uma perspectiva mais interseccional pra que a gente possa chegar a respostas que resolvam nossos problemas sem nos criar novos problemas possivelmente piores. É hora de debater o futuro do nosso trabalho e da nossa economia.
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