Uma escola pública de Baltimore está trocando suspensões e advertências por yoga e eu vou comentar essa notícia contando uma história profissional minha. Eu já fiz aula de dança durante muitos anos e, por conta disso, lá em 2012, eu trabalhei durante um ano dando aula de dança para crianças de 6 a 8 anos em um projeto municipal de uma escola do meu bairro. Era mais uma aula de consciência corporal do que qualquer outra coisa, muito também pela idade dos alunos. Mas eles ficavam super agitados durante e depois das aulas. Criança é cheia de energia, né? Qualquer atividade que você der pra elas mecherem o corpinho é como colocar fogo em palha. Principalmente depois que começamos a dividir as turmas por gênero, para que as meninas fizessem atividades físicas entre si e os meninos idem, essa agitação toda se intensificou. Eu ficava com a turma dos meninos e tinha que dar conta de lidar com toda aquela necessidade de correr, pular e, muitas vezes, de brigar entre si. Foi então que eu comecei a fazer práticas meditativas no final da aula. Claro, guiadas. Claro, feitas no formato de “historinha” (para que eles conseguissem focar em mim). E claro, só nos últimos 5 minutos da aula. Mas eu juro, dava resultado. Tinha um aluno ou outro que insistia em abrir os olhos durante a atividade. Estamos falando de crianças, o ápice da inquietude. No entanto, era uma atividade que eu não abria mão de fazer. Eu estava mais colocando em prática o que eu já fazia por mim mesma, do que aplicando teorias ou estudos super fundamentados em filosofias meditativas. Mas eu acho que dava certo porque trabalhava o entendimento de canalizar energia. Enfim, eu acredito demais nessa iniciativa da Escola Elementar de Fort Worthington. Trocar a punição por uma tentativa de “cortar o mal pela raíz” faz muito mais sentido.
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