=Os homens e as fraldas= “Ele é um bom pai?” “Sim, um paizão” “Desses que até trocam fralda?” Se eu ouvir esse diálogo mais uma vez… Eu cresci ouvindo e acreditando que ser um pai presente era ser um pai que ATÉ trocava fralda. Se isso foi o que a gente aprendeu durante a nossa infância e adolescência, podemos imaginar que tipo de pais tivemos. Infelizmente, esses obstáculos não foram vencidos na geração passada... *A influência da cidade* Em uma palestra incrível que eu assisti da Cris Bartis, co-fundadora do podcast Mamilos, eu aprendi que a arquitetura de uma cidade nos dá pistas sobre o funcionamento dela e sobre “quem está no poder”. Na era dos feudos, a presença dos enormes castelos, durante a reforma protestante, a suntuosidade das igrejas, hoje em dia, a tecnologia investida nas empresas e os seus enormes arranha-céus. O que isso tem a ver com o assunto anterior? Bom, se a arquitetura nos aponta onde está o poder de uma cidade, o urbanismo e o design acompanham a mesma lógica. O ambiente nos dá indícios de interação em comunidade e isso também se reflete nos ambientes destinados ao público feminino e ao público masculino. *Salão de beleza vs. barbearia* O que me leva ao exemplo que darei agora. Pense em um salão de beleza na década de 90, depois 2000 e depois 2010...O que mudou em 20 anos? Acredito que o número de salões especializados em cabelo cacheado tenham aumentado (ainda bem!), mas não sei dizer se teve uma mudança mais intensa além dessa. Acho que não (mas se discordarem, deixem nos comentários). Agora, pense em uma barbearia da década de 90, depois 2000 e depois 2010...O que mudou? Coisa pra caramba, não é verdade? Inclusive, eu diria que as barbearias se reinventaram. De acordo com a Euromonitor Internacional, de 2011 a 2016, o faturamento do setor cresceu 94,4%, passando de R$ 10,07 bilhões para R$ 19,6 bilhões. Em segmentos mais novos, como o de produtos de banho exclusivos para homens, as vendas partiram de R$ 11,9 milhões em 2011 e alcançaram R$ 261 milhões no ano passado. O que isso nos indica? Que tipo de mudança social as barbearias têm acompanhado? A ascensão da vaidade masculina? O autocuidado entre os homens? O aumento da pressão estética sobre ambos os gêneros? *Aonde esse texto vai parar?* O que eu quis dizer com tudo isso é que a cidade acompanha as demandas sociais. E sabe o que não existia nos banheiros masculinos públicos? Trocadores de fralda. TCHARANS! Achamos um indicador muito forte sobre o tipo de incentivo social que os pais têm recebido para atuar no cuidado dos filhos, não é mesmo? *A chegada de Donte Palmer* Mas eis que entra Donte Palmer na história, um pai que mora na Flórida, EUA. O cara tirou uma foto trocando o seu bebê na privada do banheiro masculino (foto que ilustra este texto), que era o espaço disponibilizado para cuidar do seu bebê quando ele saía com seu filho para passear. Donte Palmer postou a foto no seu Instagram desabafando. Que viralizou e chamou a atenção de quem? Das grandes empresas que estão de olho nas redes sociais. A Pampers, que não é boba nem nada, como parte da campanha Love the Change, que contou com ninguém menos do que John Legend, instalou 5 mil trocadores pelos Estados Unidos e Canadá. *Mandando a real* Mas eu vou falar uma coisa agora e eu vou falar de maneira muito séria e sem ironias: gente, trocar fralda é o mínimo. Podemos relaxar que agora sim teremos grandes pais nos mundo? Não. Mas podemos abrir um sorrisinho de que agora teremos pais que têm condições de fazer o mínimo pelos seus filhos? É, podemos. Donte Palmer, parabéns e obrigada. Pampers, parabéns e obrigada. Mas aguardo a chegada dos trocadores nos banheiros masculinos brasileiros :)
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