Pelo visto, a ratificação do acordo entre a União Europeia UE e o Mercosul não será tão simples, se já demorou mais de vinte anos, ele pode demorar mais ainda ou nem sair, haja vista que o embate envolvendo os grupos de interesses dos dois blocos tende a ser muito extenso. A complexidade da questão depende exclusivamente da pauta de produtos e serviços, a ser comercializada na ratificação do acordo. A nível de ilustração, a França se trata de uma potência agrícola, mas em geral manteve um modelo de agricultura familiar, com pequenas propriedades (um modelo mais extensivo de produção), já o Brasil como elencado pelos agricultores franceses apresenta-se com uma agricultura intensiva, da grande propriedade, baseada na produção por escala. O que segundo eles dificultaria a competição no mercado Europeu. Além disso são questionados pontos acerca das normas sanitárias e ambientais, enquanto por exemplo o Brasil aplica métodos proibidos na Europa. Então, seriam os argumentos dos agricultores franceses um neoprotecionismo? As normas sanitárias e fitossanitárias representam custos desnecessários à ordem econômica? Enquanto em termos de competitividade os agricultores franceses apresentem uma estrutura de custos maior, logo menos competitivos, setor industrial francês comemora (ironicamente comemoram pois não há concorrentes à altura no Mercosul), ou seja, o acordo será a expansão da demanda para o setor.
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