Eu trabalho com marketing há alguns anos e preciso confessar que sou muito apaixonada pela área. Eu realmente acredito que dá para atuar com o marketing do lado jedi da força, sabe? Usando os poderes para o bem. Devaneios marketeiros à parte, se tem uma empresa que eu sou fã das campanhas de marketing, essa empresa é a Magazine Luiza. E sim, esse post é só pra enaltecê-los. Porque sim. Em um evento de marketing que eu fui, assisti a uma palestra sobre as melhores campanhas da Magalu (Magazine Luiza para os íntimos) e uma que não sai da minha cabeça é a campanha de black friday. Todo mundo tá ligado no conceito da black fraude, né? Pra quem não sabe o que seria isso, basicamente é black friday de mentirinha: um mês antes (aproximadamente) da promoção, as lojas aumentam todos os seus preços e, quando chega na black friday, eles abaixam de novo e parece que os produtos estão todos em liquidação. Mas, na verdade, eles só voltaram aos seus preços regulares. Para quebrar essa crença popular (fundada em fatos do mercado brasileiro), a Magazine Luiza lançou um desafio em 2017: com base na confiança pela marca, os usuários pagariam por produtos sem saber o que estavam comprando, apenas confiando que seria uma compra que valeria a pena ser feita. Na loja online, você só via a imagem de uma caixa preta e o valor necessário para efetivar a compra e você aceitava PAGAR POR ALGO QUE VOCÊ NÃO FAZIA IDEIA O QUE ERA, porque você estava comprando no Magazine Luiza. E deu tão certo a campanha e as pessoas de fato compraram tanto, que em 2018 eles foram além: o consumidor faria uma compra, sem saber qual seria o produto, e sem saber qual seria o valor gasto. Sério. Surreal desse tanto. Claro que você tinha a opção de não efetuar a compra se visse que o valor sugerido estava acima do que você estava disposto a gastar nessa brincadeira. Mas é isso, você fazia uma compra qualquer, de sabe-se lá qual produto, por sabe-se lá qual preço, acreditando que seria um bom negócio. Incrível, né? Ansiosa para a campanha de black friday deste ano. Marketing bem feito é esse que faz a gente ficar esperando pra ver o que a empresa vai fazer em seguida. E o legal do Magazine Luiza é que eles não perdem plataforma nenhuma. A Lu já foi até no Tinder, no dia dos namorados, dar match com a galera. Aff, como eu queria ter recebido esse like. #crush E só para pontuar o último feito, durante uma madrugada dessa semana, o Magazine Luiza ofereceu um cupom de MIL REAIS DE DESCONTO para os usuários do app da loja. A ação de marketing deu o que falar e teve gente que disse ter comprado aparelhos de TV e smartphones por 100 e 400 reais, respectivamente. O assunto repercutiu, alguns duvidaram da veracidade e citaram cancelamentos de transações. Nas redes sociais da empresa, a Lu se pronunciou dizendo algo como “Ai gente, buguei de madrugada. Quem nunca? Quem baixou o app da Magazine Luiza se deu bem. Baixa lá, quem sabe eu não bugo de novo?” A verdade é que ninguém sabe ainda se foi um bug de fato ou se foi uma ação de marketing. E essa incerteza do público é o grande pulo do gato. Por quê? Porque o marketing deles é ousado o suficiente pra, realmente, eles resolverem dar um cupom de desconto de mil reais pelo app. Ninguém duvida que eles seriam realmente capazes de terem planejado isso. Mas, ao mesmo tempo, eles também teriam jogo de cintura para disfarçar um bug (afinal, bug em sistema de e-commerce nunca pega bem, né?) e fazerem com que ele se passasse por uma jogada de marketing, controlada e proposital. Qualquer uma das duas hipóteses demonstra inteligência estratégica da equipe. Ou seja, pode jogar a mandinga que for pra cima deles que eles dibram. Ou pelo menos é essa a impressão que eles passam. E uma vez que você passa essa impressão, pouco importa se ela procede ou não. Marketing não é sobre verdade. É sobre parecer verdadeiro. Isso basta. Obs: eu não fui paga pela Magazine Luiza para escrever esse artigo. Obs2: mas aceitaria ter sido.
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