VOCÊ SABE O QUE É DROMOCRACIA? Dromocracia é um termo cunhado pelo doutrinador e autor Eugenio Trivinho que, em meu entendimento, diz respeito às dificuldades/barreiras que determinadas pessoas enfrentam no processo de utilização do mecanismo de participação em rede ou mesmo de utilização de ferramentas tecnológicas, se não for redundante. Nos dizeres do citado autor, dromocracia se dá na situação na qual a “velocidade técnica e tecnológica equivale a um macrovetor dinâmico exponencial de organização/desorganização e reescalonamento permanente de relações e valores sociais, políticos e culturais na atualidade”. (TRIVINHO, 2005, p.70). Esse termo muitas vezes é utilizado para apontar uma barreira à ampliação da efetividade do papel social e democrático da rede. Para vislumbrar a “dromocracia”, imaginemos uma situação na qual um governo democrático instigue seus cidadãos a opinar (ou mesmo votar) sobre um determinado projeto de lei através do portal do Poder Legislativo daquele país. Nesse cenário, serão pressupostos – pelo menos – duas coisas para a participação efetiva da população, quais sejam: 1 – Que tenham acesso a um computador conectado à rede/internet; 2 – Que saibam mexer e acessar os portais online necessários. A questão é que, sejam as pessoas mais pobres ou sejam as pessoas mais idosas, muitas vezes não conseguem acompanhar a evolução tecnológica e acabam, por isso, sendo indevidamente excluídas de eventuais processos democráticos e decisórios – mesmo de nações democráticas. Um idoso, por exemplo, de 90 anos nasceu ainda na década de 20 e a depender de sua realidade social somente foi ter contato com computador já no século XXI, quando provavelmente já estava aposentado. Ainda, a depender de seus interesses iniciais, se apegar à tecnologia naquele momento pode não ter sido interessante, preferindo viver de um modo menos virtual (o que muitos precisamos hoje, diga-se de passagem). Esse idoso, hoje, provavelmente terá imensa dificuldade em acessar o dispositivo e participar da chamada democrática promovida. Mesmo que tenha interesse. Claro, não é culpa dele e, ao meu ver, tampouco é do governo. A velocidade do desenvolvimento da democracia nos surpreende se deixarmos de prestar atenção aos seus avanços. Ou melhor: talvez surpreenda até aos mais atentos. Com isso, será materializada a “dromocracia”. BIBLIOGRAFIA: TRIVINHO, Eugênio. Introdução à dromocracia cibercultural: contextualização sociodromológica da violência invisível da técnica e da civilização midiática avançada. Revista FAMECOS, Porto Alegre, nº 28, p. 63/72, dezembro, 2005.
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