Indicação de filme! História do Feminismo. O filme “As Sufragistas”, que se passa no início do século XX no Reino Unido, caracteriza um importante momento do desenvolvimento das lutas democráticas para a história da humanidade. Meio aos debates sobre os modelos de sistema político, as condições de trabalho precárias, o início dos grandes acúmulos de riqueza por parte da ascendente burguesia europeia, as mulheres passam a chamar atenção pelo seu método agressivo e politizado de realizar suas manifestações. O movimento sufragista, reconhecido por representar em partes as primeiras ondas do movimento feminista, tinha como objetivo inserir as mulheres na dinâmica cidadã das comunidades, tendo como um dos objetivos o direito político, de votar e poder se candidatar. A proibição do voto está intimamente ligada à dinâmica público/privada imposta pelo patriarcado, que determina os lugares físicos, profissionais e familiares que homens e mulheres devem ocupar. Nessa perspectiva, a mulher seria a responsável pela dinâmica da casa, do privado, vinculada ao cuidado da família e do funcionamento do cotidiano de todos, enquanto o homem se colocaria no mundo público, enquanto o provedor financeiro, o trabalhador e também a figura política das decisões da comunidade. Nos intensos diálogos que acontecem durante o filme, algumas das falas chamam muita atenção a respeito do processo de identificação que ocorre no movimento organizado de mulheres; “Nós quebramos janela, incendiamos coisas, porque a guerra é a única língua que os homens entendem”, pronunciada por uma das feministas que dizia sobre o motivo do movimento ter adotado medidas mais violentas, podemos destacar dois processos de análise. O primeiro é sobre a construção da diferença entre a masculinidade e feminilidade; aqui o homem é o representante de uma determinada linguagem e a mulher de outra, como se o abismo do gênero tomasse dimensões tão radicais que produzissem maneiras distintas de simbolização do mundo e de estratégias de vivência. Uma outra leitura possível é a da identificação produzida pela organização das militantes, que a partir da unidade em torno da pauta da libertação, conseguem subverter a gramática subversiva determinada para elas, produzindo uma nova possibilidade de expressão. Cada vez mais avançamos em relação à luta pelo direito das mulheres, mas devemos estar sempre atentos, já que alguns estão sempre tentando retomar à história do passado.
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