*fazendo nada* Você consegue fazer nada? Já reparou como fazer nada é complexo? Soa entediante? Te dá ansiedade só de pensar no que você deveria estar fazendo? Sei que o fator vida real é implacável, mil coisas acontecendo ao mesmo tempo, todo mundo ocupado e com a agenda cheia até o último fio de cabelo (e aqui tô pensando em trabalho e em diversão). Mas tem uma coisa muito contemporânea que é essa nossa obsessão pela produtividade. Já reparou em quantos best-sellers nas livrarias são sobre administração do tempo e métodos de produtividade para ser bem-sucedido? Acho um pouco assustador ao passo que também me encaixo nesse grupo inquieto, que sente que sempre há algo para ser resolvido, adiantado, planejando, estudado ou aprendido. Pra piorar, o conceito de fazer nada nesse esquema que a gente vive é visto como uma atitude irresponsável ou preguiçosa. E não à toa vemos os diagnósticos de transtorno de ansiedade e burnout crescerem. Mas já parou para pensar sobre como a criatividade está relacionada com momentos de contemplação e relaxamento? Ou seja, a gente precisa criar espaços vazios para que haja movimento, para que as ideias cheguem, para que a gente consiga criar saídas para os problemas. Acho que é um pouco a sensação de voltar revigorada de férias, quando a gente passa um tempo sem tanto estímulo, sem compromisso com horários ou coisas muito urgentes pra resolver. A gente volta com a mente refrescada e desperta, pronta pra outra. A minha vontade atual é justamente não guardar tudo o que a gente espera de gostoso, de relaxante, de energizante pras férias ou pro fim de semana. É pouco contentamento para uma só vez por ano. Quando penso em fazer nada logo imagino uma cadeira de praia ou uma tarde no parque. Mas não tenho nada disso ao meu redor no dia a dia. Como começar? Coloque um cronômetro para poder relaxar sem se preocupar com o tempo e apenas observe lá fora, pela janela mesmo.
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