=A Via Láctea= Sabe aquela faixa clara que cruza o céu e que podemos ver bem brilhante nas noites sem nuvens, sem poluição e de preferência sem a luz da Lua? Essa é a Via Láctea, o nome dado à nossa galáxia, nossa ilha do universo na qual convivemos com mais de 100 bilhões de estrelas. Quando vemos uma noite estrelada típica do inverno, a mancha clara é como uma faixa leitora irregular que atravessa o céu. Sabemos que os antigos olhavam para o céu e se indagavam sobre o firmamento (ver a série de textos sobre a História da Astronomia). Assim, muitas culturas possuem seus próprios mitos sobre a Via Láctea, mas um dos mais conhecidos vem da Grécia Antiga. Os helênicos diziam que a galáxia nasceu do leite esguichado no céu pela deusa Hera, acordada pelo susto de amamentar o bebê Hércules. Em latim, Via Láctea significa, literalmente, caminho de leite. Alguns povos indígenas brasileiros, como os guaranis do sul, enxergavam a Via Láctea como o caminho de uma anta, pois elas criam trilhas na floresta onde depositam as sementes dos frutos que se alimentam. Por isso é um animal muito respeitado pelos indígenas. Para entender a galáxia que vemos no céu, comparada com a que está no universo, imagine que estamos há 200 mil anos-luz de distância, aproximadamente, para podermos ver o conjunto, como um todo. Vemos que direção que leva ao seu núcleo, onde acreditamos existir um super buraco negro. Vemos a estrutura de barras que saem, a partir de seu centro, em duas direções opostas. Também os braços espirais que saem dessas barras. Toda a galáxia está girando de maneira diferencial — isto é, a galáxia não é rígida. Cada estrela é como um carro em sua pista. O Sol, por exemplo, gira em torno do centro galáctico a uma velocidade de mais ou menos 828 mil km/h. Com essa velocidade, o Sol demora para completar uma rotação galáctica cerca de 230 milhões de anos. O que significa que a última vez que o Sol passou nesse ponto de sua órbita, os dinossauros estavam passeando pela Terra. Na posição em que o Sistema Solar está, podemos ver parte do plano médio da nossa galáxia. O acúmulo de estrelas aí e em sua região central gera o efeito que vemos à noite da Via Láctea. Se continuarmos a poluir o céu com mais luz, apagaremos da memória das novas gerações o prazer de compartilhar a beleza natural de um céu estrelado. *Fonte: ABC da Astronomia*
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