Política de Higienização em Belo Horizonte. Com a saída do empresário Márcio Lacerda da prefeitura de Belo Horizonte, acreditávamos que tempos melhores viriam. Márcio Lacerda em momento algum se preocupou em reavaliar as condições dos preços dos ônibus, atacou as ocupações urbanas de BH sem oferecer nenhuma saída para uma política urbana mais justa e humana e produziu políticas públicas para a retirada forçada das populações em situação de rua, que tiveram como marca a utilização de pedras pontudas nos locais onde esses sujeitos dormem. A entrada de Alexandre Kalil ficou marcada por um alívio, pela saída de Lacerda, mas também por uma apreensão, já que o ex-presidente do Atlético Mineiro nunca teve experiência na política institucional da cidade. O que no início parecia ser um bom começo para a cidade, quando Kalil seguiu uma linha de fazer a cidade funcionar de maneira mais orgânica, valorizar o que já existe de estrutura na capital e indicar nomes técnicos e competentes para chefias as suas secretarias, começa a se balançar cada vez mais. O início, para mim, se deu com as primeiras prisões e ataques a alguns movimentos de ocupação da cidade, quando o presidente ao invés de produzir políticas urbanas mais sustentáveis e que acolhessem a demanda das populações sem moradia própria, preferiu atacar essas organizações de maneira categórica, sem muito diálogo. Agora, a bola da vez, ou pedra da vez, é o retorno das emblemáticas pedras debaixo dos viadutos. O prefeito deu uma justificativa de que a obra serviria para garantir a sustentação das estruturas de alguns viadutos, mas essa explicação já passa a ser questionada, uma vez que as pedras afiadas estão dispostas bem distante da própria estrutura. Kalil dirige hoje uma prefeitura que investe o dinheiro do contribuinte em políticas de assistência social e saúde coletiva, que produzem as garantias de direitos para as populações em situação de rua, a promoção de sua saúde e a emissão de seus documentos, e ao mesmo tempo, investe o mesmo dinheiro precarizando e atacando todo esse funcionamento. É preciso mais coerência para se fazer políticas públicas, a população deve ser mais escutada e ser menos tratada como objeto dos caprichos estatais.
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