*Um breve perfil de Ricardo Paes de Barros* O Brasil do Plano Real até início dos anos 2010 não é um Brasil que deu certo à toa. Quando você rememora essa história recente você encontra, mesmo que numa polarização política, uma convergência de projeto, de ganhos de eficiência na economia junto com mitigação das desigualdades. Faz sentido hoje tentar recuperar os personagens dessa história. Um, entre os fundamentais, é Ricardo Paes de Barros. PB é o liberal que todos os liberais brasileiros deveriam ler - junto com Merquior e Giannetti. E também a esquerda que a esquerda brasileira deveria ser. Ou mesmo a direita, como ele também já se definiu. Você pode não conhecer Paes de Barros, mas conhece um dos filhos da sua expertise sobre o tema da desigualdade e miséria: o Bolsa Família. O programa nasceu de um texto feito em conjunto com Marcos Lisboa e José Márcio Camargo, em 2001, a Agenda Perdida. Tratava de focalização da agenda social e pretendia usar a teia de proteção construída no fim dos anos 90 entre pastas do governo FHC e ações de municípios. Foi rejeitado por José Serra para a campanha de 2002, mas chegou ao Palocci no ano seguinte, já no governo Lula, por meio de um tucano: Armínio Fraga. Marcos Lisboa menciona que, da metade dos anos 1990 em diante, todo mundo que predentesse fazer política redistributiva séria chamava o Paes de Barros. O economista tem como característica um apego religioso aos dados e evidências. PB já colaborou com os governos FHC, Lula, Dilma e Temer e, no ano passado, foi formulador do programa econômico de Marina. Em uma entrevista de 2012, a Piauí pergunta a Paes de Barros qual é sua posição ideológica. “Talvez, para contrariar um pouco, eu me classificasse como direita”, respondeu. A seguir, explicou: “Se esquerda significa que estamos dispostos a abrir mão de muita coisa, inclusive de eficiência, para ter mais igualdade e as necessidades básicas satisfeitas nas suas mais variadas formas, então eu sou de esquerda. Se ser esquerda significa que para atingir essas coisas você precisa de um Estado gigante, então eu sou de direita. O que eu quero é atingir o maior nível de satisfação com a menor intervenção governamental possível.”
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