=Goleiro Bruno volta aos gramados? Polêmica reacende debate sobre machismo e cultura do estupro no futebol= Depois de muita indefinição e alguns dias de espera pela liberação da justiça, o Poços de Caldas Futebol Clube anunciou a contratação do goleiro Bruno Fernandes. A equipe, que irá disputar a terceira divisão do Campeonato Mineiro, divulgou nesta terça-feira (27) a foto do novo jogador segurando a camisa do time. Segundo representantes do goleiro, Bruno deverá fazer seus treinos em Varginha e tentará obter liberação da justiça para participar de jogos disputados fora da cidade. A polêmica contratação reacende o debate sobre o machismo e a cultura do estupro no mundo do futebol. Preso em 2010, Bruno foi condenado em 2013 pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio e pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Condenado a 20 anos e 9 meses de prisão, recentemente, em julho deste ano, o goleiro obteve progressão de pena e passou para o regime semiaberto, o que permite que ele exerça trabalho remunerado. O anúncio causou alvoroço nas redes sociais do Poços de Caldas, recebendo comentários a favor e contra o jogador. Porém, os comentários que reprovam a iniciativa do clube são bem mais contundentes do que aqueles que defendem a negociação. Vale lembrar ainda que, em 2017, o Boa Esporte Clube, também de Minas Gerais, chegou a contratar Bruno após habeas corpus concedido por uma liminar do STF. Contudo, a ampla repercussão negativa levou o clube a perder o apoio de patrocinadores e a desistir da contratação. De toda forma, o presidente do Poços de Caldas, Paulo César da Silva, afirma que o clube está preparado para a repercussão. Diante destes fatos, muitas questões foram levantadas nas redes sociais sobre a iniciativa do Poços de Caldas. No post que anunciava a contratação oficial da equipe no Facebook, muitos comentários defendem que a negociação é válida. “Boa sorte ao clube e ao atleta, que ele tenha refletido durante sua pena e que dê uma virada no rumo de sua vida”, comenta um internauta. “E se fosse com sua filha ou sua mãe, você o perdoaria?”, rebatem outros. Em uma sociedade que ainda desencoraja mulheres a denunciar abusos - alegando que 'arruinariam a vida' de seus agressores - é possível dizer que Bruno merece voltar aos gramados e aos holofotes como atleta? Num país onde milhares de crianças e mulheres sonham com uma carreira no futebol sem ter oportunidades, é correto dar uma segunda chance a Bruno? Por outro lado, seria justo impedi-lo de trabalhar e se ressocializar após o cumprimento da pena? Deixe sua opinião nos comentários.
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