=Mudar Significa Fazer Diferente= Vi essa imagem recentemente numa postagem do SFLB - Students For Liberty Brasil. O episódio retratado na imagem aconteceu em 1992, nos EUA, quando um grupo de defensores dos Direitos Civis confrontou uma manifestação da KKK (Ku Klux Klan). Policiais tentavam manter o controle sobre 300 manifestantes pelos Direitos Civis contra 17 membros da Klan, até que identificaram um homem com tatuagens das SS entre eles. O homem tentou fugir mas caiu e começou a ser surrado pelos manifestantes, até que a jovem negra Khesia Thomas se lançou sobre ele para evitar que o pior acontecesse. O homem foi salvo e meses depois, Khesia foi abortada por um jovem, que era filho do tal homem. E ele a agradeceu por ter salvo seu pai. Khesia disse: "dois anjos ergueram meu corpo e me deitaram [nele]. [...] Violência é violência - ninguém merece ser agredido, especialmente graças à uma ideia. "É um ciclo. Vamos dizer que o tivessem matado ou o machucado para valer. Como este filho se sentiria? Ele continuaria no caminho da violência?" Khesia Thomas não só a diferença como fez diferente. Provavelmente o homem que ela salvou não faria o mesmo por ela. Quando falamos em mudar o mundo, mudar as pessoas, o caminho certamente não é reproduzir o ódio de sempre por um suposto "ódio do bem". Como disse Khesia, violência é violência, ódio é ódio, e não se muda nada reproduzindo o que se nega. Muitos dirão que isso é utopia, que mostrar uma outra forma de se fazer as coisas não mudará a atitude das pessoas; muitos dirão que "racistas tem que morrer", até que alguém o incluo numa lista qualquer de pessoas que "tem que morrer" por um motivo qualquer. Mas não se elimina o racismo eliminando racistas, a única forma é eliminar o racismo. A ideia antecede a pessoa e sovrevive a ela. Para incluirmos outras ideias semelhantes, judeus são perseguidos há séculos, assim como ciganos, ou curdos e drusos, por exemplo. A ideia sobreviveu a centenas de gerações. O antissemitismo continua aí, os neonazistas e a KKK estão aí para nos mostrar que combater as pessoas não é o caminho: o caminho é combater as ideias. E não estou falando de censurar ideias Neste sentido, o chamado "politicamente correto" pode ser mais um problema do que uma solução também. Impedir a livre circulação de ideias é impedir a sociedade de pensar e de debater, confrontar livremente, todo tipo de ideia. Demonstrando argumento por argumento, debate por debate, discussão por discussão, o quanto uma ideia é ou pode ser perigosa, criando um consenso social em torno dessas ideias ou de atitudes nocivas à civilidade e ao bem comum, me parece a forma mais adequado. Que muitas "Khesias" continuem a nos dar o exemplo.
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