=Você tem se sentido exausta? A surpresa seria se você dissesse que não.= Desde 2013, estudos demonstram que 98% dos brasileiros estão se sentindo muito cansados, e essa sensação afeta principalmente os jovens de 20 a 29 anos. E a tendência não é só no Brasil. De acordo com o Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos de 2015, 43% dos trabalhadores do país dormem menos do que o período recomendado Para o filósofo sul-coreano Byung-chul Han - autor de a 'Sociedade do cansaço' - cada época possui uma epidemia, como as doenças bacteriológicas e virais que marcaram o século 20. Para ele, as patologias neurais definem o século 21 – e todas elas surgem a partir de um denominador comum: o excesso de positividade presente na sociedade contemporânea, com discursos, nos quais predominam as mensagens de ação produtiva e as ideias de que todas as metas são alcançáveis. Lembra do slogan da campanha presidencial de Barack Obama em 2008: “Yes, we can” (“Sim, nós podemos”, em tradução livre)? E claro, o da Nike, “just do it” (“simplesmente faça”). De acordo com o filósofo, o excesso de positividade presente na contemporaneidade culmina na criação de uma “sociedade do desempenho”, um cenário em que a produtividade se torna um norte para os indivíduos. E esse ambiente culmina numa autoexploração do indivíduo, que se entrega ao excesso de trabalho munido de um sentimento de liberdade. Nesse cenário, o cansaço se manifesta coletivamente, mas de maneira solitária em cada indivíduo. O autor cita o escritor austríaco Peter Handke, que no livro “Ensaio sobre o cansaço” apresenta a ideia de uma fadiga extrema dividida entre as pessoas, cada uma com o seu próprio grau de esgotamento. Han define esse cansaço como um “cansaço da potência positiva, que incapacita de fazer qualquer coisa”. É uma fadiga surgida do excesso de desempenho e produtividade que, por sua vez, tira do indivíduo a capacidade de fazer novas coisas. Se identificou?
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