=Ninguém Segura a Mão de Ninguém= Após a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro, os segmentos de esquerda, derrotados, tentaram lançar uma campanha vendendo duas imagens: que a vitória de Jair Bolsonaro levaria o país a uma espécie de apocalipse e que eles eram uma reserva humana de amor, candura e democracia. Para quem conhece um mínimo de história da humanidade, é difícil identificar a esquerda com “amor, candura e democracia”. Não é o que emana dos fatos que a história registra sobre a URSS, sobre a China, sobre a Coréia do Norte, sobre o Vietnã, sobre Cuba, etc, etc, etc. E para quem conhece um mínimo da história recente da esquerda brasileira, também é difícil identificar isso, não só pelas tendências autoritárias da esquerda brasileira, como também pelas claras disputas de poder observadas durante e depois da campanha e da posse de Jair Bolsonaro. O PT insiste em não perder o controle sobre a esquerda, jogando com o “legado eleitoral” do presidiário Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto outros setores à esquerda enxergam uma oportunidade para tomar essa posição do PT. Isso foi muito claro quanto à candidatura Ciro Gomes e seus embates diretos com o Lulopetismo, com o chá de cadeira humilhante imposto a Manoela D´Ávila, antes e depois do processo eleitoral e até mesmo estranhamentos do lulismo com os psolistas. Setores à direita, por sua vez, jamais representaram uma unidade. Jair Bolsonaro nunca foi um candidato ou um projeto político minimamente de consenso. O único consenso em torno de Bolsonaro é o anti-petismo. O que observamos hoje, quase um ano após a eleição, e mais de meio ano de presidência de Jair Bolsonaro é que as eleições de 2020 já começaram. A esquerda insiste no cenário apocalíptico e na venda da imagem deles como uma “reserva moral e ética da humanidade”, Isso pode ser seu próprio velório: com o histórico de mais de uma década no poder, seguido por inúmeros escândalos de corrupção e pelo fracasso econômico, criar uma pós-verdade de que a Lava Jato foi política e que o governo Bolsonaro seja um fracasso econômico são suas únicas esperanças. A ponto do PT pedir a Macron que lute pelo cancelamento do acordo do mercosul com a UE. Sim, Macron, que até ontem era a “direita imperialista”... Na direita, por sua vez, o clima é escancaradamente eleitoral. O clã Bolsonaro e seus fiéis ataca diretamente qualquer um que de alguma forma se destaque em meio ao caos do governo (a lista já é grande, engorda mensalmente e inclui nomes do próprio governo). O caos é tão grande que a gente chega a pensar que o Congresso é a melhor coisa que temos – o que está longe da verdade, evidentemente. Enfim... Muitos, como eu, ainda tem a esperança, cada vez mais improvável, de que o governo convença o governo de que a melhor campanha eleitoral é um ótimo governo.
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