=“Uma garota precisa de um encerramento”= Recentemente eu – e o mundo – fiquei sabendo do filme que traz o retorno do personagem Jesse Pinkman às telas após os acontecimentos do último episódio da série Breaking Bad. Eu poderia estar ansiosa por esse retorno, assim como os fãs da série estão, já que acompanhei toda a saga do carismático traficante de drogas e do professor de química com câncer que se descobre um excelente cozinheiro de metanfetamina. Mas a notícia me causou outro tipo de ansiedade, ela me fez lembrar de uma estranha condição que eu enfrento já há algum tempo e que, certamente, eu já deveria ter conversado com algum terapeuta sobre; meu problema com finais. Breaking Bad não foi a primeira e provavelmente não será a última série que eu, deliberadamente, não assisti ao último episódio. Essa condição também afeta outras experiências. Geralmente acontece com filmes - paro de assistir ao filme pouco antes de acabar –, com livros – deixo as últimas páginas sem ler – e também encaro esse problema com algumas questões da vida fora da ficção, confesso, mas minhas experiências mais prejudicadas certamente são as séries. Não sei bem quais são os critérios de escolha, as séries que mais me tocaram e foram além de uma simples experiência narrativa, eu consegui vencer essa mania louca e assistir ao último episódio, mas geralmente não consigo voltar a assistir os episódios de encerramento - sendo que ver reprises das minhas séries favoritas é um hábito. Acho que meu comportamento ao assistir séries, se fosse estudado, faria uma descrição bem acertada de quem eu sou, talvez até me elucidem algumas questões que eu ainda não conheço. Não sei o que causa esse estranho comportamento, pode ser um problema com despedidas, já que tenho família que mora longe e as despedidas sempre foram difíceis. Pode ser um problema de possessividade e não quero deixar de ter aquele universo disponível e sempre aberto para que eu possa voltar. Ou pode ser que exista um pedaço de mim cheio de arrogância que acredita que aquele final não vai ser bom o suficiente então seria melhor deixar as lacunas para que eu mesma as preencha. Na verdade, talvez eu só não tenha aprendido, ainda, como abrir mão, e não consiga lidar com a ideia de ter que perder a convivência com aqueles personagens e encarar a finitude das coisas. Uma vez a Verônica Mars falou: - “Uma garota precisa de um encerramento” – e eu fiquei intrigada com essas palavras, parece que eu os tenho evitado. E já não sei o que fazer, será que eu assisto ao último episódio de Breaking Bad para assistir ao filme? Esses retornos sempre quebram a lógica da minha loucura. Agora, por favor, se você leu esse post até o final e sofre de alguma condição parecida – ou tão estranha quanto – compartilha suas experiências nos comentários, seria muito bom saber que não estou sozinha. A gente pode criar um clube.
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