Nas vidas da classe média brasileira, a função da televisão sempre foi muito além de um simples entretenimento momentâneo. Para muitos, assentar no sofá e assistir à TV era uma das poucas atividades culturais que uma família poderia consumir unida, de forma coletiva. Era também umas das poucas atividades que aproximava, sem muitas dificuldades, diferentes gerações. Compartilhei muitas horas da minha vida assistindo à TV com a minha avó, que sempre adorou os filmes de Bang Bang, mas a primeira série que eu assisti, mesmo sem conseguir acompanhar direito as histórias, foi com o meu avô, que religiosamente acompanhava aos episódios de Star Trek - na época chamado de Jornada nas Estrelas. Lembro de arrepiar com a narração que abria todos os episódios, mesmo sem entender direito o que aquilo significava. Minha atividade favorita desse ritual não era assistir às imagens na televisão, mas observar meu avô atento às aventuras intergaláticas da nave Enterprise, sempre em busca de conhecimento. Acho que meu seriado era esse, a cada dia eu observava ele no sofá, fumando seus cigarros e batendo as cinzas no cinzeiro sem desviar o olhar da televisão. Sereno, calado e sem demonstrar muita reação, ele era quase como um dos personagens da série, evoluídos demais para se deixarem levar pelas emoções. Desde então, nunca parei de assistir às séries. Nem as de dentro, nem as de fora da TV. A televisão tem um poder de criar memórias que ficam para sempre, sou grata por algumas delas. Aposto que você tem suas memórias também, se lembra da experiência de assistir à um seriado pela primeira vez?
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