=Agostinho Carrara: O que ele representa no Brasil e o interesse do brasileiro em ter representatividade nos games= GTA V é um jogo incrivelmente popular em diversas partes do mundo por seu conteúdo adulto, violento, com mínima censura e que tenta simular toda a violência que é apresentada no mundo do crime. Não é a toa que o game é um prato cheio para pessoas que sempre tiveram vontade de cometer atos ilícitos sem precisar de fato cometê-los; uma forma de sair um pouco do lado mais “certinho” do cidadão ético e nobre do dia-a-dia. Eis que surge um boato de que o futuro jogo da franquia, o GTA VI, será ambientado no Brasil e diversas discussões são formadas a partir dessa informação. Dentre elas, uma chamou a atenção da maioria dos brasileiros: uma petição para incluir o personagem Agostinho Carrara (da série “A Grande Família”, da Rede Globo) no jogo. O personagem é representado como trambiqueiro, sempre usando de um jeito para passar a perna nos outros e lucrar com isso, o que é algo que o game representa em seus personagens. Com uma pequena piada com proporções imensas, fica uma questão que paira no ar: o brasileiro é bem representado nos games? Tecnicamente sim, já que temos um reconhecimento mundial por nossa cultura e pontos turísticos bastante populares, mas nenhuma representação fiel ao brasileiro de fato. Algumas empresas se animaram com a empreitada e colocaram pontos do país como parte do jogo, como a Ubisoft no Assasin’s Creed 3, onde um dos cenários do jogo se passa em uma região de São Paulo ou a Rockstar Games (a mesma do GTA V) que no game Max Payne 3 fez um cenário baseado em uma favela do Rio de Janeiro. Ambos foram bastante criticados por diversos fatores como a dublagem, o estereótipo dos cidadãos, o ambiente muito apocalíptico e outros fatores que representam uma certa miséria que representa apenas uma porcentagem pequena do país. Existem outras representações mais fiéis como o Ed Gordo e Christie Monteiro da série Tekken, entretanto os personagens não sustentam a imagem de um país, eles acabam sendo retratados como pessoas precárias porque o país é precário. Isso é um ponto crucial para entender o que o consumidor brasileiro vê ao comprar um game que faz uma publicidade negativa e como ele se expressa para melhorá-lo ao escolher um personagem relativamente polêmico. O brasileiro sempre foi adepto a jogos de ação e violência, sendo games no estilo FPS (first person shooter) um dos mais populares, perdendo apenas para games de esporte (especialmente futebol), mas a cultura dos games no Brasil não foi somente a introduzida por esse tipo de gênero, já que a febre de games cresceu em decorrência da venda dos jogos da Sega no país distribuídos pela TecToy. Esse tipo de cultura dos games sempre teve como base a americana, então acabamos nos espelhando em como a gente vê os Estados Unidos pelos games, e não o oposto. Com isso, cria-se um desejo de se fazer parte desse mundo, e então a criatividade faz com que isso gere arte e, consequentemente, lucro. Com isso, pode-se dizer que Agostinho Carrara é, em partes, uma representação precária da família tradicional brasileira, já que ele não tem os traços que o estrangeiro enxerga como brasileiro, mas possui uma história muito similar a boa parcela da população, o que faz com que ele seja um personagem cômico excelente para ser introduzido para outros países, já que nem todo brasileiro malandro precisa ser um marginal morador de favela, mas a representação do país ainda não sustenta a imagem estereotipada que os estrangeiros a veem, o que pode levar um certo tempo até perceberem que o nosso país não é feito apenas de sangue, pobreza e corrupção.
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