=Queda de Felipão poderia ter sido ponto de virada no Palmeiras e no futebol brasileiro= A princípio, a demissão de Luiz Felipe Scolari do comando do Palmeiras parecia apontar para novos ares no futebol brasileiro. Até aqui, o ano de 2019 foi marcado pela queda de treinadores veteranos e consolidados no país. Considerados nomes fortes no comando de suas equipes no início da temporada, técnicos consagrados como Abel Braga e Mano Menezes também foram duramente contestados e acabaram deixando seus cargos. Por um instante, a queda de Felipão parecia ser a culminação desta tendência. Assim como Mano e Abel, ele foi muito criticado pelo futebol resultadista e pouco criativo da equipe. Apesar dos fortes elencos, Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras, sob o comando desses treinadores, tiveram rendimento bem abaixo do esperado. Além do desempenho pobre e partidas ruins, começaram a surgir os maus resultados, tornando a pressão insuportável. Cruzeiro e Flamengo optaram por uma mudança total na concepção e no padrão de jogo de seus times. Afinal, o grande investimento em seus elencos não condizia com o quão pouco as equipes apresentavam, esgotando a paciência de ambas as torcidas. A Raposa trocou Mano por Rogério Ceni, enquanto o Urubu trouxe o português Jorge Jesus para o lugar de Abel. As novidades deixavam clara a vontade dos dois times: abandonar o futebol resultadista e defensivo por um modelo mais propositivo e envolvente. Parecia ser o começo do fim de um ciclo no futebol brasileiro. Desde o ótimo Corinthians de 2015, não tivemos nenhum time de encher os olhos sendo campeão no Brasil, à exceção do Grêmio, que conquistou com sobras a Copa do Brasil em 2016 e a Libertadores em 2017. Além disso, nos últimos três anos, vimos Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro ganhando títulos nacionais com um futebol absolutamente protocolar. Claro que as conquistas não valem menos por causa disso, mas chega uma hora em que “jogar para não perder” deixa de ser o bastante. Não por acaso, o Flamengo de Jorge Jesus e o Grêmio de Renato Gaúcho dividem o protagonismo do futebol brasileiro atualmente. Foram essas as equipes responsáveis pela queda de Felipão, que não resistiu à pressão após duas derrotas avassaladoras. Afinal, são dois times que apresentam um jogo agressivo, envolvente e que luta pela posse da bola a todo momento. Por isso, eles apresentam o futebol mais vistoso do país no momento, e naturalmente vêm conseguindo bons resultados. O Palmeiras parecia ter aprendido a lição e que seguiria os passos de Flamengo e Cruzeiro para ir ao mercado em busca de um novo treinador. Mas não será este o caso: o alviverde já confirmou Mano Menezes no comando do time. Ao invés de mudar a sua filosofia e “jogar para vencer”, o Verdão parece se contentar com mais do mesmo. As críticas que derrubaram Mano do Cruzeiro são parecidíssimas com as que levaram à queda de Felipão. Assim, o que poderia ter sido um ponto de virada para o Palmeiras e, quem sabe, até mesmo para o início de uma nova tendência no futebol brasileiro, terá de esperar um pouco mais. Resta saber se Mano Menezes conseguirá calar os críticos e extrair da equipe alviverde tudo que Felipão não conseguiu e tudo que se espera do elenco - o mais caro do país.
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