Alexandre Schwartsman: "Há uma inconsistência entre o teto de gastos por um lado e a dinâmica do gasto obrigatório por outro. Um mandamento constitucional diz "não gastarás"; outros mandamentos constitucionais afirmam o contrário e, entre eles, fica o gasto discricionário, espremido a cada ano. A reconciliação dos opostos só pode ocorrer quando um dos mandamentos for relaxado: ou mudanças no teto de gastos, ou reformas que alterem a dinâmica dos gastos obrigatórios. Fabio Giambiagi e Guilherme Tinoco, economistas acima de qualquer suspeita, defenderam recentemente alterações no teto (sem, para ser justo, descuidar da necessidade de reformas). Defendem que a inconsistência eventualmente tornará o teto de gastos insustentável, levando a seu abandono, e propõem seu relaxamento para evitar um resultado ainda pior, qual seja, o abandono do teto e o consequente aprofundamento da crise fiscal, cujas consequências, desconfiamos, nos levariam de volta à situação de 2015-16. Embora a proposta seja, do ponto de vista técnico, bem formulada e mais do que defensável (envelhecer é uma droga, mas considere a alternativa...), os riscos políticos de rediscutirmos o teto de gastos são gigantescos. Ninguém garante que desta discussão resultará o que foi proposto pelo Fábio e pelo Guilherme. As contas públicas brasileiras, não só do governo federal, mas de estados e municípios, não chegaram ao estado lastimável em que se encontram por azar, muito menos por falta de diagnóstico."
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