=VAR chegou para resolver, mas vem complicando= A adoção das novas regras da FIFA e da tecnologia do árbitro de vídeo nos jogos vem causando alvoroço no futebol brasileiro. Apesar de prometer ser a solução para as polêmicas de arbitragem, a implementação ainda está longe de ser perfeita, tendo causado muita controvérsia. É verdade que o recurso é muito útil e também foi fundamental para a correção de lances importantes, mas o seu uso irregular e errático pela arbitragem sul-americana também pode levar a decisões equivocadas e prejudiciais. De toda forma, em seu primeiro ano de implantação no futebol nacional, o balanço do VAR é visto como positivo pela CBF. Após muita incerteza inicial, a entidade acredita que a ferramenta é crucial para evolução do futebol, além de defender que a tecnologia e seu protocolo de uso passarão por adaptações para o futuro. A principal defesa do recurso por parte da CBF é que cerca de 90% dos erros de arbitragem neste ano foram corrigidos em relação aos do ano passado. O grande problema é quando a intervenção do VAR é indevida e a segunda decisão do árbitro depois da consulta, equivocada. O próprio ato de consultar o vídeo já parece influenciar no processo decisório da arbitragem: em aproximadamente 80% dos lances revisados, o árbitro acaba alterando a marcação inicial. Com isso, surgem lances marcados erroneamente, como o pênalti do goleiro Tiago Volpi não dado para o Ceará diante do São Paulo, no Morumbi. O último final de semana ainda fez esquentar novamente o debate sobre o VAR no futebol brasileiro. O Santos se beneficiou com um pênalti inexistente sofrido por Marinho, marcado após revisão do árbitro de vídeo. No Independência, mesmo com a goleada por 4 a 1, o Grêmio saiu de campo reclamando de um pênalti não marcado em toque de mão da defesa do Cruzeiro, apesar do lance ter sido revisado no VAR. Derrotado pelo Botafogo no Engenhão, o Atlético também reclamou muito da revisão da arbitragem no primeiro tempo. Em um toque duvidoso de Igor Rabello dentro da área, o juiz marcou o pênalti para o Fogão e ainda expulsou o zagueiro do Galo. Os atleticanos não conseguiram reverter a desvantagem no placar e a ausência de um jogador, saindo com a derrota e formalizando uma reclamação contra a arbitragem na CBF. A próxima etapa será a disponibilização das imagens do árbitro de vídeo em replays nas transmissões a partir do segundo tempo das partidas. Se a CBF realmente almeja um VAR mais assertivo e transparente, este é um passo na direção correta. Falta agora a mesma transparência em relação aos critérios adotados pelos árbitros para uso do recurso, especialmente quando feito incorretamente. Enquanto isso, assistimos a um VAR de dar inveja em ligas como a Premier League, da Inglaterra, onde a ferramenta interfere com menos frequência nos lances e a decisão dos árbitros acontece bem mais rapidamente. Por aqui, continuamos a ver lances mal marcados mesmo após serem consultados em replay, além de revisões que levam minutos e esfriam o momento do jogo. A verdade é que o VAR é uma ferramenta de grande utilidade e sua implementação era iminente - e necessária. Não por acaso, o recurso também foi rapidamente lançado no Brasil, mas parece que seus profissionais ainda precisam do devido treinamento. Espaço para aprimoramento existe, mas torcemos para que o árbitro de vídeo realmente consiga evoluir e contribuir para um futebol mais justo. Até aqui, a maior contribuição parece ser para jogos mais lentos e chatos de assistir.
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