=Tragédia no Irã esquenta debate sobre machismo no futebol= Nesta segunda-feira, o mundo do futebol acompanhou em choque a notícia da morte da torcedora iraniana Sahar Khodayari, de 30 anos. Ela faleceu em um hospital em Teerã, uma semana após atear fogo em seu próprio corpo em frente ao tribunal que a condenara a seis meses de prisão por ter se disfarçado de homem para entrar em um estádio de futebol e assistir a um jogo do Esteghlal, time para o qual torcia. As mulheres são proibidas de frequentar estádios de futebol no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Segundo o país, que é uma república fundamentalista islâmica, os estádios são ambientes de predominância masculina, sendo inapropriados para a presença de mulheres. Porém, diante da pressão internacional, o governo abrandou a proibição e permite o acesso feminino em casos especiais e pré-determinados. Por enquanto, o livre acesso às arquibancadas só é pleno para os homens e mulheres estrangeiras em jogos no Irã. A morte de Sahar despertou revolta no mundo da bola, recebendo a manifestação de atletas e torcedores iranianos, além de jogadoras de outros países exigindo o fim do banimento. Um site especializado em abaixo-assinados digitais também criou uma petição encaminhada à FIFA pela punição da Federação Iraniana de Futebol, já acumulando mais de 20 mil assinaturas. A petição ainda exige a soltura das "Seis Detentas", como ficou conhecido o grupo de seis torcedoras que, a exemplo de Sahar Khodayari, foram presas em estádios de futebol tentando burlar o banimento. O Esteghlal, time do coração de Sahar, também lamentou a morte da torcedora em nota oficial no Twitter: _"Nossa querida Sahar ateou fogo a si mesma, quando foi condenada a seis meses de prisão por... ir a um estádio torcer pelo seu Esteghlal. Ela nos deu seu apoio apesar dos políticos terem tornado isso ilegal para ela, mas o que nós podemos fazer para apoiá-la? Absolutamente nada. Nós somos covardes", publicou o clube iraniano._ A mensagem foi compartilhada por diversas equipes renomadas pelo mundo, como Barcelona, Chelsea, Fortuna Dusseldorf e St. Pauli. Na terça-feira, a seleção do Irã venceu Hong Kong por 2 a 0, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. O capitão iraniano, Masoud Shojaei, também divulgou uma mensagem nas redes sociais, afirmando que a vitória foi "a mais amarga e triste da seleção nacional", em manifestação pela morte de Sahar. _"Marcamos dois gols e vencemos o jogo em campo. Mas perdemos porque Sahar não está mais entre nós. Vergonha para mim por não ter sido capaz de fazer nada e vergonha para aqueles que tiraram o direito mais óbvio de Sahar e de todas as Sahars", publicou o jogador no Instagram._ A FIFA tem reunião agendada no Irã dentro de duas semanas, mas segundo representantes da entidade, a ocasião irá tratar somente dos preparativos para os jogos da seleção iraniana nas eliminatórias, e não da morte de Sahar Khodayari. Porém, as autoridades devem avaliar os preparativos do país para permitir o livre acesso de mulheres aos jogos de futebol. É preciso que a entidade aja rapidamente e tenha pulso firme para lidar com esta situação gravíssima. É inacreditável que ainda tenhamos que lidar com este tipo de notícia nos dias de hoje. Fica o nosso total respeito e a memória da fanática torcedora iraniana Sahar Khodayari, apaixonada pelo futebol e pelo Esteghlal.
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