Para o sociólogo Ricardo Antunes, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o empreendedorismo é um "mito", que se fortalece em meio ao alto desemprego, ao enfraquecimento das políticas sociais do Estado e às novas tecnologias. Ele lançou recentemente o livro "Riqueza e miséria do trabalho no Brasil v. IV" (Boitempo), coletânea de artigos de intelectuais, que analisa as novas relações de trabalho. O trabalho tem sido amplamente objeto de estudos e pesquisas no cenário acadêmico nacional, principalmente pelos intelectuais e profissionais do Direito. No Brasil, a aprovação da Reforma Trabalhista em 2017, justificada pela necessidade de redução do custo relacionado aos trabalhadores, assumindo um discurso pautado na geração de novos postos de trabalho, ou seja, aumentando a oferta de trabalho, de modo a superar o cenário de desemprego que ainda nos permeia, com uma taxa na ordem de 12 %. O Decreto de Liberdade Econômica seguiu no sentido de desburocratizar a economia brasileira, e novamente incluindo pautas trabalhistas. Ironicamente, o Brasil após a reforma foi incluído na lista suja da Organização Internacional do Trabalho OIT. Devemos somar às questões supracitadas as novas tecnologias disruptivas, como o Uber, e o seus impactos no mundo do trabalho. De fato, segue o mundo em mudança e o debate construtivo, mais do que nunca é imprescindível, envolvendo todos os atores sociais.
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