=Os Miseráveis Mandarins= Os mandarins eram altos funcionários públicos da China Imperial. Burocratas, famosos pelo poder, pela riqueza e pela corrupção. Gente que vivia luxuosamente e desonestamente, de espoliar a pobre população do Império Chinês, Camponeses despossuídos, na maioria. Certamente, diante da impunidade que os cercava e das possibilidades de perpetuar sua forma de vida, os mandarins estavam sempre achando que tanta riqueza, tantos privilégios, tanta exploração dos mais pobres, não era suficiente. Queriam sempre mais. Provavelmente, estavam tão acostumados com seu "estilo de vida", que não percebiam ou pouco se importavam com as consequências dele: a injustiça social e a manutenção da pobreza. Eu acredito que essa condição alienada dos mandarins se reproduza, através dos tempos, em países que gerem as condições para a existência dessas castas privilegiadas. Acredito também que é sincera a declaração do infeliz e empobrecido procurador do Ministério Público do meu estado, que vou chamar, doravante, de Chiquinho Miserê. Chiquinho Miserê é uma criatura tão acostumada, tão treinada, tão desprendidamente estupida, que nem percebe a própria estupidez. É uma criatura que vive o próprio mundo, no qual os valores se limitam ao próprio umbigo e se extendem a um palmo do próprio nariz. Nós, criadores dessas criaturas, somos, na verdade, os únicos que podemos extingui-las. Basta entender que direitos são para todos. Fora isso, são privilégios. Ou enfrentamos os mandarins, e ensinamos a eles valores republicanos, que considerem a ideia de que enriquecer às custas da pobreza alheia, é selvagem e desumano, ou vamos alimentar, eternamente, nossas próprias e miseráveis chagas.
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