Mostrando o contraste entre a Alemanha pré e pós queda do muro de Berlim, esse filme é uma forma genial de entender um pouco de comunismo, anarquismo e uma crítica mais genial ainda à burocracia e ao capitalismo de mercado. O filme, na verdade, é uma impressionante crítica ao estalinismo e à reconstrução do capitalismo na ex-Alemanha Oriental. A história parte de uma idéia pra lá de inusitada. No final de 1989, uma fervorosa defensora do sistema que, ao mesmo tempo, se dedicava a escrever cartas e mais cartas tentando corrigir os muitos desvios burocráticos do sistema, sofre um enfarte e entra em coma ao ver seu filho ser brutalmente reprimido em uma manifestação contra o Muro de Berlin. Passam-se oito meses. A mulher sai do coma e o filho é orientado pelos médicos a não expô-la a qualquer emoção forte. Contudo, há um problema: no período em que esteve em coma, Erich Honecker foi afastado, o Muro caiu, a Alemanha foi unificada e o capitalismo começava a avançar a largos passos. Nesta situação, o filho decidi omitir tudo isso e recriar, no apartamento, o antigo regime, como se nada houvesse acontecido. Nessa recriação do socialismo real, com extremo bom humor, o diretor cria situações hilárias, particularmente através dos programas e noticiários que o dedicado filho cria com a ajuda do amigo cineasta. Nem burocratas, nem capitalistas A situação absurda serve para expor o não menos absurdo mundo dirigido pela burocracia estalinista: o racionamento permanente, a falsificação da história, a censura, a falta de liberdades democráticas, etc. Mas não só isso. O diretor também desmascara as mazelas impostas pela reintrodução do capitalismo na Alemanha Oriental: a filha universitária torna-se atendente de um fast-food, o desemprego cresce, a assistência social desaparece e ex-burocratas tornam-se corruptos capitalistas. Longe de ser uma contundente defesa do socialismo (há uma certa tendência anarquista), o filme é um empolgante ataque àquilo que a burocracia e o capitalismo têm de pior.
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